21 novembro, 2013
Por Katia Ouang

Eu queria ter estreado como colunista aqui no blog falando sobre gravidez. Parecia fazer mais sentido começar do começo, sabe? Cheguei até a esboçar alguma coisa , mas estava parecendo tão senso comum que acabamos desistindo. O fato é que, esses dias, estava buscando uma pesquisa sobre o uso de lactobacilos para cólica no recém-nascido (aliás, super legal e ainda venho compartilhar isso com vocês) e apareceu um artigo canadense que avaliou a qualidade da informação veiculada nos blogs mais populares do país sobre o manejo do enjôo na gestação. Achei interessante a conclusão de que nem todos traziam informações claras e de acordo com as recomendações mais recentes, aí resolvi arriscar e trazer esse assunto pra vocês. Espero que gostem!

Por que as grávidas enjoam?
É super comum, mais da metade das gestantes enjoam e esse sintoma pode atrapalhar o apetite, alterar a rotina e impactar na qualidade de vida. Na grande maioria dos casos, tende a desaparecer por volta da décima segunda semana, embora algumas mulheres possam nausear e vomitar até o final. Se os vômitos atrapalharem o estado de hidratação e se as náuseas atrapalharem significantemente a ingestão de alimentos ao longo de todo o dia, é importante relatar o obstetra o mais rápido possível! A hiperemese gravídica deve ser acompanhada bem de perto.
E a causa para os enjôos, não se sabe ao certo, mas está ligada as alterações hormonais e a todas as mudanças que acontecem no corpo da mulher durante a gestação.

Como se alimentar para amenizar os sintomas?
A primeira regra é comer pouco volume, várias vezes ao dia. Tente não pular nenhuma refeição e organizar-se para levar lanchinhos intermediários. Sempre indico lancheira térmica pras minhas pacientes grávidas e essa da built é a minha preferida.

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O que comer?
O enjôo tende a ser pior pela manhã. Ao levantar, o faça devagar e tenha sempre na cabeceira alguns biscoitos salgados e bem secos. Gosto de recomendar o magic toast ou pita toast ou uma torradinha qualquer.
Pratos frios e sanduiches frios são sempre melhores opções, já que a tolerância à comida quente tende a ser menor. Alimentos ácidos também ajudam.
Alimentos gordurosos, em geral, tem a digestão mais lenta. Procure evitar.
Outra dica é tentar entender os sinais do corpo e comer aquilo que parece cair bem.
Tenha sempre à mão (em casa ou na lancheira):
1- Iogurte com cereal
2- Melão cortado
3- Abacaxi cortado com raspas de limão
4- Gengibre para acrescentar pequenas quantidades nas refeições, ou ainda, gengibre seco para snacks.
5- Torradinhas, magic toast, pita toast, pão sueco
6- Grissinis
7- Frutas secas
8- Queijinhos tipo polenguinho ou baby bell
9- Bolo simples e seco
10- Cereal matinal
11- Pipoca (feita em casa, na panela e com pouco óleo)

Como se hidratar?
Mesmo com enjôo, não podemos negligenciar a hidratação. Pode ser difícil tomar um copão de água, mas será mais fácil tomar pequenos goles ao longo do dia. Durante ou logo após as refeições, é bom evitar grandes volumes de água. Rodelas de limão ou folhinhas de hortelã no copo podem ajudar.

Tenha sempre à mão (em casa ou na lancheira):

1- Garrafinha de água (água com gás pode ser uma boa opção)
2- Cubinhos de gelo com o suco as sua preferência ou água de coco (para chupar)
3- Água de coco in natura (pode comprar fresca e congelar porções individuais)
4- Limão para espremer e misturar na água
Na sequencia vão algumas receitinhas para as gestantes:

Sopa de abobora com gengibre (morna, e não muito quente)
Ingredientes:
750ml de caldo de carne
750g de abobora japonesa em cubos
1 c. sobremesa de gengibre ralado
Sal a gosto
Modo de preparo:
Cozinhar a abobora no caldo de carne, por uns 20 minutos, até que esteja macia. Ao amornar, processe no mixer ou no liquidificador. Acrescente o gengibre ralado e sirva.

 

Pipoca com gengibre
Ingredientes:
1 xicara de café de milho de pipoca
1 c. chá de óleo
1 pitada de sal
1 c. café de gengibre em pó
Modo de preparo:
Na panela, despeje o óleo, já adicione o sal e acrescente o milho. Tampe e leve ao fogo. Vá mexendo sempre e desligue a panela quando o intervalo entre os estouros fou maior do que 2 segundos. Depois de pronto, despeje num recipiente e salpique o gengibre

 

Frango com gengibre:
1 peito de frango sem pele, com osso, cortado em 6
3 cebolas roxas cortadas em 4 partes
4 maças cortadas em 4 partes (sem o cabinho)
3 dentes de alho
1 pedaço de gengibre ralado
suco de 1 laranja
vinagre, sal e pimenta do reino.

Modo de preparo:
Tempere o frango com vinagre, sal, alho. Deixe marinar um pouquinho. Depois, em uma forma refratária, disponha os pedaços de frango, intercalando com os pedaços de maça, cebola e alho. Tudo deve ficar bem juntinho. Coloque o gengibre ralado e regue com o suco de 1 laranja. Coloque mais uma pitada de sal. Leve ao forno pré aquecido a 180-200C, por cerca de 50 minutos.

 

 

1235000_10201066934369560_620013221_nMariana Del Bosco

É mãe da Alice de 1 ano, atua em consultório há 13 anos

e tem grande experiência com obesidade e obesidade infantil.

É especialista em fisiologia do exercício pela UNIFESP

e mestre em ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

email: [email protected]

Instagram: @maridelbosco

 

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24 outubro, 2013
Por Katia Ouang

O tempo passa muito rápido! A Alice já vai fazer um ano e logo mais ela vai entrar no esquema alimentar da casa (ou a casa se adequará a ela? Vamos ver e depois eu conto!). Aí aproveito esses últimos dias de papinha pra contar pra vocês como é a nossa organização por aqui.

Partimos dos princípios básicos da boa nutrição na introdução alimentar:

Iniciar alimentação complementar após 6 meses de aleitamento materno
Começar com frutinhas (aqui foi só fruta por uns 10 dias)
Tudo bem com as frutas, iniciar a papa no almoço. Sempre bom lembrar que é fundamental adequar a consistência e evoluir gradativamente. As primeiras papas devem ser amassadas no garfo, e não batidas no liquidificador, nem passadas na peneira.
Tudo bem com o almoço, iniciar o jantar (aqui foi após um mês)
Como a Alice é alérgica iniciamos/testamos um alimento por vez, até que conseguimos contemplar todos os grupos alimentares na papa (legume + verdura + energético + proteína e, por fim, leguminosas).
Essas e outras diretrizes são importantes na introdução alimentar, mas optei por compartilhar com vocês como é a nossa logística e aí fico super à disposição, caso queiram tirar alguma duvida mais especifica, ok?

1-      Estrutura:

Mesmo a mais organizada das mulheres precisa de um tempo para organizar toda a estrutura que cerca o bebê. A amamentação exclusiva é superprática, mas a transição para a alimentação complementar demanda um pouco de trabalho mesmo. Acho que vale a pena investir:

a)      Potes para armazenar as papas: potes de vidro, ao invés dos de plástico, são mais seguros. Sabemos que os potes plásticos, em contato com o calor, acabam soltando substâncias nocivas para a saúde. A mais estudada dessas substâncias é o  bisfenol A, que comprovadamente interfere no funcionamento dos hormônios. Tanto é, que desde 2011,  a ANVISA determinou que as mamadeiras não poderiam mais conter esse bisfenol A.  Potes plásticos, entretanto, ainda contêm! Os potes de vidro são bem práticos porque podem ser transportados e usados para aquecer e servir a papa nos passeios.

Nós usamos esse aqui:

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b)      Colheres pequenas e macias: no inicio os bebês estranham o contato da colher na boquinha.  Quanto menores, melhor! Dos apetrechos de alimentação que escolhi pra Alice, sempre acho que a Munchkin tem as opções mais bacanas.

Comecei usando essa colher bem pequena:
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Depois passamos pra essa maior:

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E agora que ela gosta de ajudar, usamos essa também:

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c)       Panela especifica para a papa: muitas mães gostam de ter o papeiro (panela esmaltada) , outras gostam da panela de ferro. Pesquisei muito sobre qual panela seria mais adequada. Todas apresentam vantagens e desvantagens. Não comprei nenhuma e acabei optando por uma de inox de um conjunto que eu havia ganhado de casamento e ainda estava sem uso. Se fosse comprar , talvez tivesse optado por uma de ferro fundido:

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2-      Aquisição de gêneros:

Gosto de usar e recomendar alimentos orgânicos. Sim, são um pouco mais caros e nem sempre dá pra comprar toda semana, ou mesmo pra toda família. Então é legal priorizar: nesse comecinho da introdução alimentar acho legal deixar tudo orgânico pro bebê. Se não deu pra continuar a compra toda, mantenha, pelo menos, para os alimentos que, sabidamente,  tem maior quantidade de agrotóxico (tomate, mamão, alface, cenoura, morango, uva, goiaba, pêssego, pimentão e figo). Eu, atualmente, tenho comprado essas cestas de orgânicos a cada 15 dias pela internet e considero ótimo bom custo benefício. Tem as cestas da semana, com produtos da safra e descontos que chegam a 25%!  Ah, frango orgânico também é uma melhor opção, especialmente,  nesse começo.

3-      Na cozinha:

Já fiz varias experiências. No começo gostava de cozinhar tudo separadinho, já pensando que futuramente ela comeria tudo separado seria bom acostumar. Mas dava um trabalhão preparar a carne numa panela, a batata em outra, a abobrinha em outra até que ah, desisti! Pra gente foi mais fácil cozinhar tudo numa leva só. Aí cozinhava uma quantidade certinha pro almoço e pro jantar. Como eu faço questão, até hoje, de cozinhar pra Alice, percebi que precisava simplificar as coisas, caso contrário, precisaria dividir essa função. Foi então que comecei a usar a técnica do congelamento a nosso favor e até hoje a receita segue assim:

a)      Compro meio quilo de carne ou frango (por conta da alergia ainda não testamos o peixe), refogo com alho, cebola,  salsa e cebolinha e cozinho na pressão.

b)      Depois de pronto, separo metade da carne e distribuo em potes pequenos para congelar, com uma quantidade suficiente para servir três refeições.

c)       A outra parte fica na panela e eu acrescento  a folha, o legume, o tubérculo e o grão. Dessa preparação pronta,  separo 3 potes para servir nas refeições seguintes e armazeno na geladeira mesmo.

d)      O restante vai para o congelador e eu vou usando nos fins de semana ou nos dias em que não deu pra cozinhar.  Para congelar é legal usar a técnica do choque térmico, ou seja, levar a panela para uma bacia com gelo e ir mexendo até esfriar.  O objetivo é cessar a cocção e garantir melhor textura, além de manter as propriedades nutricionais.

e)      No dia a dia,  pego a carne ou o frango nos potinhos do congelador e cozinho 3 papas fresquinhas. Tem funcionado legal pra gente dessa forma.

(Ah, só lembrando que nas primeiras papas,  eu processava a carne no mixer e usava esse caldo grossinho como base para a sopa que era amassada no garfinho. Logo ao evoluir a consistência , oferecia bem desfiadinha ou moída.

 

Para quem vai começar a introdução alimentar agora, acho interessante ter uma rotina bem definida. É legal a criança estar com um pouco de fome – mas não muita pra não ficar irritada. Claro que cada caso é único, mas nesse começo os bebês tendem a preferir a mamada ao papá. Aí,  mesmo que se mantenha o aleitamento materno em livre demanda, é interessante ficar sem amamentar umas 2 horinhas antes da refeição. Vale também começar por papas mais adocicadas, que tem melhor aceitação, com cenoura, mandioquinha, batata doce. Não acrescente sal. Não precisa, não traz nenhuma vantagem nutricional, ao contrário. Deixe o sal para quando foi iniciar a mesma alimentação da casa. Ah, e super importante, calma e tranquilidade são fundamentais. Se o bebê comer pouco, não se desespere. É uma adaptação e essa experimentação é assim mesmo. Algumas poucas colheradas já são suficientes para a formação desse novo hábito. E, por fim, o leite materno ou artificial, ainda é a principal fonte de energia do bebe até o fim do primeiro ano.

A Alice é boa de garfo. Come muito bem mesmo e eu espero que continue assim nessa próxima etapa.  Em breve venho compartilhar com vocês as novidades! Antes disso,  acho que vou falar um pouco da alimentação na gestação. Mas me avisem se houver algum tópico da alimentação no primeiro ano de vida que vocês gostariam que eu abordasse por aqui, ok?

Beijo,

Mariana

 

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Mariana Del Bosco

É mãe da Alice de 1 ano, atua em consultório há 13 anos e tem grande experiência com obesidade e obesidade infantil.

É especialista em fisiologia do exercício pela UNIFESP e mestre em ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

email: [email protected]

 

 

 

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30 setembro, 2013
Por Katia Ouang

 E hoje a semana começa com um post da querida Mariana, minha nutricionista e colunista do blog. A Mari vai preparar posts super especiais para nós mamães e que ajudará muito em assuntos como papinhas, alimentação na gravidez e amamentação, alimentos e recitas saudáveis, enfim, tudo que for importante para o universo materno. E vocês leitoras também podem sugerir temas no final do post!

Mari, seja Bem Vinda ao Minhas Dikas!

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“Sou Mariana Del Bosco, nutricionista, atuo na área de obesidade e tive a oportunidade de atuar por muitos anos no ambulatório de obesidade infantil do hospital das clínicas…”  É mais ou menos dessa forma que eu me apresentaria a vocês, mas há 10 meses tudo mudou. Hoje eu sou a Mariana, mãe da Alice, esse é o meu maior titulo, essa é a minha função mais relevante.

E no meio dessas mudanças todas que o primeiro filho traz na vida da gente, a Kátia me convidou para ser colunista nesse blog que eu adoro – e leio desde a gravidez!  Fiquei honradíssima com o convite, mas ao mesmo tempo, confesso, com medo de não dar conta de mais uma função. Agora que a Alice está com quase um ano e eu estou mais organizada, resolvi aceitar esse desafio pra valer! Quero muito aproveitar esse espaço pra trocar informações e dikas, usando um pouco da minha experiência de consultório e muito da minha vivência de mãe.

Então, vamos começar do começo: Acredito que muitas de vocês já ouviram falar na importância dos primeiros 1000 dias do bebe, né?  É nesse período, entre os 9 meses de gestação e os 2 primeiros anos de vida, que se determina muito da saúde física e mental.  Já tem muitos estudos interessantes que comprovam que a dieta da mãe e do bebê impacta não só no crescimento e no desenvolvimento, mas também, no risco de desenvolver doenças no futuro.

Os mil primeiros dias são tidos como uma janela de oportunidades para que se faça tudo certo e para que se consiga uma boa “programação metabólica”.  E aí a responsabilidade é toda nossa. Nós é que fazemos todas as escolhas alimentares dos nossos filhos nesse período e é dentro desse contexto que vou selecionar alguns assuntos para começarmos nosso papo por aqui. Claro que não vamos nos esquecer dos mais velhos, dos lanches da escola, das tantas opções de industrializados, da falta de apetite, da seletividade e por aí vai. Enfim, quero trazer muitas dicas práticas e muitas receitinhas para tentarmos cuidar melhor da alimentação da nossa família, com base nas mais recentes evidências científicas. Espero que vocês gostem e obrigada por me receberem aqui!

Aproveito esse post de apresentação para passar uma receita muito fácil e gostosa.

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Esse biscoito de polvilho é muito bom e feito sem leite ! Uma opção saudável para o lanchinho dos pequenos e super fácil de fazer – os maiorzinhos podem até ajudar a colocar a mão na massa. Uma boa para um dia de férias, com frio e com chuva!
Aqui a gente já fez até a receita dupla porque dá pra comer quentinho e guardar numa embalagem bem vedada e ir comendo nos lanchinhos ao longo da semana. A principal vantagem com relação aos industrializados é o menor teor de sódio e menor teor de gordura, além do que, é zero gordura trans! Outro aspecto interessante de se fazer snacks em casa é diminuir a quantidade de corantes , conservantes, acidulantes e todos os “antes” aos quais expomos nossos filhos.
Biscoito de polvilho:
3 xícaras de polvilho azedo
1/4 de xícara de água quente
3 ovos
1/2 xícara de óleo
1 c. café de sal
Modo de fazer:
Coloque o polvilho, o óleo e o sal  em uma tigela, escalde com a água quente e bata na batedeira até formar uma massa homogênea. Reserve. Bata as claras em neve e, depois adicione as gemas. Bata mais um pouco e despeje a mistura de ovos na tigela com o polvilho. Bata mais um pouco até que fique com uma consistência bem uniforme . Para moldar os biscoitos você pode usar saco de confeiteiro ou um saco plástico com a ponta cortada. Outra alternativa é fazer em formatos de bolinhas (mas eu, particularmente, prefiro o formato original de biscoito de polvilho).  Leve para assar em fogo baixo (200)  por cerca de 25 a 30 minutos, mas depende do forno, então tem que ficar de olho e retirar quando estiver douradinho. Rende bastante, portanto, é preciso paciência para assar as fornadas
Credito da Foto: Projeto Família

 

 

 

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