24 agosto, 2015
Por Katia Ouang

Sempre penso o quanto as pessoas só falam sobre o lado bom de ser mãe. Sim, ele é maravilhoso.

Mas não consigo entender porque as dificuldades são tão pouco faladas.

Não sei se as mulheres tem medo, vergonha ou até uma sensação de derrota se contarem o lado onde nem tudo são flores e que mãe chora muitas vezes por não saber o que fazer.

Engraçado que antes da Bruna nascer eu só pensava em como iria cuidar de um recém nascido…. Para mim era essa a maior dificuldade já que as pessoas próximas só falavam nas tais noites de sono que eu nunca mais teria.

Só que essa fase passa em um piscar de olhos. E sinceramente, não tenho nenhuma recordação muito “traumática” dessa adaptação. Exceto pelos primeiros dias pós cesárea que são um pouco chatinhos.

Difícil  mesmo é educar, tarefa árdua e sem prazo para terminar.

Por isso hoje vou citar quais são as maiores dificuldades que enfrentei e que enfrento desde que me tornei mãe e que raramente são comentadas.

 

Breastfeeding Benefits

1) Amamentação: Ok, já passou, amamentei as duas até 8 meses e exclusivamente no peito ate os 6. Mas não consigo por nenhum momento me esquecer o que enfrentei na minha primeira experiência com a Bruna. Nunca sofri tanto, senti tanta dor e chorei como nos 2 primeiros meses. Onde estava aquela cena lúdica e linda que tanto pintam de uma mãe amamentando um filho?

Eu só pensava assim; Por que ninguém me avisou que o leite “desce” alguns dias após o parto , e que de repente você não vai saber o que fazer como eu, e seu peito esquenta, empedra, cresce mais 2 tamanhos, nenhum sutiã serve…

Por que ninguém me avisou que para quem tem muito leite tirar na bomba aumenta ainda mais a produção?

Por que ninguém me avisou que seu bico pode sangrar por dias ?

Por que ninguém me avisou que mastite é tão comum acontecer mas que na hora você acha que vai morrer com quase 40 graus de febre e seu seio pegando fogo?

Enfim, quem me acompanha sabe que essas não foram nem metade das dificuldades que passei. E que antes de nascer a Manu, me informei e me preparei para passar por tudo de novo. Mas sabendo como agir, como me manter calma e como lidar com essas dificuldades. Foi difícil também, mas bem menos traumático.

E o que eu passei, metade das mulheres passam . Sorte e abençoadas as que passam pela amamentação sem nenhuma dificuldade.

Até aí tudo bem. Mas como saber disso antes pode ajudar?

Pode preparar a pessoas para os possíveis desafios e ensinar como lidar com eles ou a quem recorrer em caso de dificuldade. Acho importante saber que é comum acontecer . Pois acreditem, boa parte dos casos de depressão pós parto, o “Baby Blues”, ocorrem por causa das mudanças que a amamentação traz na vida da mulher e que muitas vezes além de vir com um monte de dúvidas e inseguranças, pode frustrar a mulher que não consegue amamentar do jeito que ela acreditava que seria.

Lado A: Sofri, chorei mas não me arrependo de nada e faria tudo de novo.  Adorei a sensação de ver minhas filhas crescendo só com o leite do peito. Até hoje me surpreendo como nosso corpo consegue produzir um alimento tão rico. Vocês não acham isso uma loucura?

Fora a relação e o contato único entre mãe e bebê que a amamentação possibilita.  Sou defensora da amamentação sim, mas dentro dos limites de cada mulher. Sejam físicos ou emocionais!

 

 

2) Noites Mal Dormidas: Sim, esse é um tópico bem falado por aí. Quem nunca ouviu “ Durma bem agora pois depois que o bebê nascer você não vai mais dormir por um bom tempo “ .

Por um bom tempo? Ou quem sabe não seria; Você não vai mais dormir!

Juro que eu me preparei paras os primeiros meses sabendo que não seria fácil. Mas nunca imaginei que isso não teria data para terminar.

Não temos a mínima idéia que depois que temos um filho acordamos a cada movimento deles, a cada espirro, a cada barulho no berço. Depois vem a fase que acordam, vem para nossa cama, escapa xixi ou precisa ir ao banheiro , tem pesadelos….

Dormimos com um olho aberto e outro fechado. Sempre.

E hoje, após quase 5 anos como mãe, não consegui ainda me adaptar às noites mal dormidas.  Foram pouquíssimas vezes que relaxei em uma noite de sono e essas poucas, eu não estava em casa com elas.

Lado A:  Não sei muito bem se tem o lado A dormir pouco, mas apesar de ser complicado, a gente também acaba se adaptando. A velha história: O que não tem remédio, remediado está!

 

3) Terrible Two: E por que não Three, Four, Five…  O desafio  inicia a partir do momento em que seu filho começa a ter vontade própria e reage ao ser contrariado ou quando quer muito alguma coisa.

E aí respira fundo, conta até 10, 20, 30…. e tente entender que um filho pode sim te levar as raias da loucura. E que você não será uma péssima mãe se gritar, chorar e querer sumir naquele momento.

Ninguém conta o quanto é difícil colocar “ordem na casa” e ninguém conta que somos capazes de fazer qualquer coisa para um filho parar com uma birra.

Lembro que uma vez uma das minhas melhores amigas estava comigo no shopping. Ela com o filho de 7 anos, eu com a Bruna, com 3 na época. A Bruna teve um surto de se jogar no chão e gritar pois queria um pirulito e eu disse que não ia comprar. Eu me virei para a minha amiga e disse: eu não sei mais o que fazer com ela, é muito mal educada, não aguento esses chiliques….

Minha amiga me disse: Não aguenta? Espera ver o dia que você disser não e seu filho reagir dizendo: Mamãe, você é uma chata, eu não gosto de você! E imagine quando chegar na adolescência…. Meu Deus!

Por que sim, até a criança mais educada, filha de um casal de família Doriana, cheios de bons costumes e postura, vai um dia desafiar a mãe com palavras que magoam. Faz parte.

E cabe a nós aprender a lidar e educar para que isso não se repita.

Lado A: Educar é um aprendizado eterno e faz com que nós mães evoluímos a cada dia. Eu mesma já percebi maneiras diferentes de acalmar uma birra, depois de várias tentativas frustradas e desanimadoras.

 

 

4) Ver o filho sofrer. Seja por uma frustração, uma perda, uma febre ou  uma dor física. Qualquer coisa que não esteja bem com o nosso filho, parece que dói igual na gente.

E para isso nunca estamos preparadas.

Não é fácil lidar com o sofrimento de um filho, pois temos que ser fortes para apoiar, proteger, mas ao mesmo tempo  ensinar que nem sempre a vida é feita de momentos bons.

Envelheci alguns anos em cada internação da Manu, em cada febre alta delas e principalmente agora, após minha separação, perco um pedaço de mim cada vez que a Bruna sofre ( pois a Manu não sentiu  tanto), cada vez que ela chora, cada foto que ela ve e as lagrimas escorrem do rosto.

Ninguém contou que seria tão difícil lidar com isso.

Lado A:  Descobrimos uma pessoa muito mais forte do que imaginamos ser . E conforme o tempo passa, o filho cresce, nos tornamos cada vez menos egoístas e descobrimos o que é viver de verdade para um filho. A ponto de deixar de lado nosso sofrimento ou momento ruim para pensar só neles.

 

5) Culpa. A eterna culpa. Clichê ou não, acredito que uma mãe que se preocupe de verdade com seus filhos, sempre terá seu momento de culpa. Tudo é sempre motivo para nos questionarmos se estamos fazendo da maneira correta.

Muitas vezes sonho com um pouco mais de tempo para mim, e quando tenho, me culpo por achar que deveria estar com elas;

Muitas vezes não vejo a hora delas dormirem, mas em seguida, estou louca para que elas acordem;

Muitas vezes eu superprotejo elas, e depois me culpo achando que ficarão inseguras;

E assim vai…

E é claro, toda a culpa que um término de casamento traz na cabecinha delas.

Lado A: Não sei se esse sentimento ameniza com o passar dos anos, acho que não. Faz parte da maternidade , faz parte do nosso instinto querer sempre fazer da melhor maneira.

 

Mesmo com tudo isso, continuo dizendo que não existe nada melhor nessa vida do que receber o amor de um filho!

 

 

E vocês, o que sentiram dificuldade na vida de mãe?!

 

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20 agosto, 2015
Por Katia Ouang

Por inúmeras vezes pensei em escrever sobre esse assunto, mas confesso que não sabia o que falar, muito menos se seria interessante para alguém. Pois relacionamento é muito pessoal, e felicidade idem.

Cada pessoa busca um ideal de relacionamento. E é obvio que esse nosso ideal é sempre acima do que temos . Talvez por isso que tanta gente se frustra e tantos casamentos terminam.

Hoje fica bem mais fácil para mim falar sobre esse tema. Não que eu tenha uma super experiência , muito pelo contrário. Mesmo porque eu mesma estou atrás da fórmula mágica da felicidade a dois.

Porém estando sozinha há alguns meses , passei a observar com mais clareza como são os relacionamentos de casais com filhos pequenos. Conversei com muita gente, e hoje posso dizer que a maioria dos casais passa por crises nessa fase. Claro que como tudo há exceções e casais que se amam loucamente, mas no geral é nessa fase que a maioria das mulheres e dos homens estão frustrados com o companheiro e ficam perdidos em meio à tantas mudanças na rotina.

Fico pensando o que pode passar na cabeça  de um homem quando sua mulher engravida. Sim, lindo, uma emoção só…  Mas os dias vão passando, os meses, e aquela companheira para todos os momentos, para sair, beber, dar risada, fazer um esporte….começa a ter suas limitações e falta de vontade.

Ok, compreensível. O que são 9 meses em uma vida?

Só que depois vem o nascimento, a doação sem fim, as noites sem dormir, a amamentação, a falta de tempo, a falta de vaidade, e todas as mudanças que um bebê pequeno em casa trás. Eu não tive depressão pós parto, mas posso garantir que mais da metade das mulheres tem. E isso é ainda mais um agravante no relacionamento. A mulher espera um homem compreensível e sensível e o homem muitas vezes não sabe lidar.

E sente muito tudo isso.

Diferente da mulher que viveu a gravidez, que viveu o parto, viveu a amamentação e vamos concordar que esse período nossa cabeça é tomada pelos filhos, a ponto de que dane-se o mundo, nós estamos vivendo um momento único, de dedicação total. E o amor que recebemos em troca é tão forte e intenso, que muitas vezes nos supre por completo. Do tipo: Ah paciência que estou sem tempo para o marido….

Não estou defendendo os homens de maneira alguma! Mas entendo o quanto esse período todo possa ser chato e até entendiante para eles no casamento. E aí quando essa fase começa a passar; pronto! Mais um filho a caminho e começa tudo de novo!

No meu ponto de vista, o homem não pode e nem deve se chatear com isso. É a construção de uma família, faz parte. São alguns meses ou anos em uma vida inteira . Que diferença isso fará lá na frente? Mas não são todos os homens que aguentam essa fase com esse pensamento.

A adaptação da vida com filhos não é fácil para nenhum dos dois.

É muita carga para a mulher se tornar mãe, cuidar dos filhos, da casa, das noites sem dormir , trabalhar, aprender a viver com os medos e inseguranças que a maternidade traz, as mudanças no corpo, e ainda ter que achar uma maneira de se dedicar ao homem e estar bem para ele.

Tarefa árdua essa não?!

Ardua mas necessária. Sou a favor de um “esforcinho” para conseguir reinventar o casamento. Seja da parte da mulher, quanto do homem.

Não é fácil para nenhum dos dois. O amor não sobrevive se não for diariamente cultivado. Tem fases boas e fases ruins.

Vale a pena “encaixar” na rotina programinhas a dois. As vezes um jantar mais demorado longe de casa, algumas taças de vinho, algumas risadas , já são o suficiente para voltar para casa mais felizes e lembrarem que o casal ainda existe. Se puder viajar mesmo que seja para ir em um dia e voltar no outro, melhor ainda.  Um bilhete, uma mensagem carinhosa, uma surpresa, qualquer coisa vale.

A “fórmula magica” que tanto falam vem da vontade de cada um. Não cai do céu. E precisa de um esforço dos dois lados.

Estamos entrando em uma geração onde pais casados “até que a morte os separe” tem se tornado cada vez mais raro.

Talvez porque as pessoas estejam menos tolerantes, com menos paciência e com o ideal que o casamento é como presenciamos no inicio da vida a dois.

Casais que são “metade da laranja” existem. Daqueles que a gente só de olhar sente a energia de que foram feitos um para o outro, e que sem dúvida passarão o resto da vida juntos. Mas esses são raros, 1 em 1 milhão.

Para todos os outros cabe apenas querer e ter a predisposição para manter um casamento.

Um desafio e tanto!

O que vocês acham de falarmos mais sobre esse tema por aqui?

 

 

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5 agosto, 2015
Por Katia Ouang

Semana passada vivi mais uma nova experiência na minha vida após a separação; a primeira noite delas longe de mim.

Não sei se estamos certos ou errados , mas desde que me separei do pai delas, optamos por não agir pela lei ou pelos padrões e sim pelo que o nosso coração falasse. Ou melhor, o meu. Pois instinto de mãe é o que me guia desde então. E a opção foi manter as crianças dormindo o tempo todo comigo enquanto ainda são pequenas. Durante a semana o pai vê quando e como quiser. E aos finais de semana fazemos um rodizio de turnos ou de dias como já contei em outros posts. Nada muito certo ou marcado, e tem funcionado bem assim há alguns meses.

Sim, é puxado para mim, já que não tenho ajuda aos finais de semana.

Sim, por lei eu tenho direito a me dividir a cada 15 dias com o pai.

Mas a real é; não estou nem aí para isso ! Minhas filhas são muito pequenas ainda e precisam de uma estrutura de amor e não de disputa.

No início elas não podiam nem cogitar dormir longe de mim. As poucas vezes que falamos sobre dormirem com o pai, já choravam pedindo para eu ir junto , e então eu mudava de assunto.

Após esses meses de adaptação acho que elas entenderam o panorama e despertaram naturalmente a vontade de dormir com o pai. E é isso que eu queria. Nada que fosse forçado ou marcado, e sim que fosse um momento de alegria e principalmente diversão para elas.

Então montei uma mochila para cada uma, separei o pijama, as roupas, agrupei certinho com o laço combinando, a opção de saia ou calça, tudo para o pai entender. Coloquei o bichinho de pelúcia de cada uma junto,  e tudo isso obviamente me debulhando de tanto chorar.

No final do dia eu disse; Meninas, o papai vai passar aqui para levar vocês na pizzaria!

E elas pularam e fizeram uma festa!

Em seguida eu disse; E vocês querem dormir lá hoje?

Elas disseram : SIIIIIIMMMMMM, e super empolgadas.

Eu disse; então vocês vão! A mamãe fez uma mochila para cada uma e vou mostrar como eu organizei.

Elas estavam todas orgulhosas da mochila de cada uma e colocaram nas costas para esperar o pai. Descemos na garagem e nisso o pai chegou e elas pularam no colo dele super animadas. A Manu entrou no carro e nem me deu tchau. E então fui dar um beijinho na Bru e ela começou a chorar…. Disse, mamãe, você não vai junto?

Aí eu travei.

Quase disse; filha, não precisa ir se não quiser. Mas ainda bem que eu não disse.

Pois ela foi chorando, mas foi. E em poucos minutos já havia esquecido.

Quando o carro saiu da garagem eu parecia uma louca de tanto que chorava. Uma mistura de sentimentos, uma vontade de por para fora tudo que tenho passado esses meses, não sei. Só sei que a emoção veio a tona.

Será que elas vão ficar bem? Será que vão conseguir dormir em outro lugar? será que vão sentir frio a noite? Será que… ? Será que…? Será?…

Ei calma lá mamãe, elas estão com o PAI. E quem mais vai tratar elas tão bem como eu se não o pai?

Sim, com todos os tropeços de um homem que com certeza não vai pentear o cabelo, por o laço,  vai esquecer de por o casaco nelas pois não sente frio…  Mas amor, isso não vai faltar. E aprendi que na separação o mais difícil para uma mãe que é centralizadora como eu, que faz tudo, que repara em tudo e que se preocupa com tudo, é que por muitos momentos não serei mais dona da situação. Que a gente perde o “monopólio” dos filhos,  mas que mesmo assim  isso será benéfico não só para eles, quanto para mim. Que terei que aprender a controlar as minhas emoções e ansiedades pois nem sempre terei o controle de tudo.

Entrei em casa. Tudo em um perfeito silêncio. Eram 8 da noite, eu não tinha o leite delas para fazer, o dente para escovar, as mãos para lavar, o processo todo de fazer dormir, a bronca por bagunçarem e atrapalharem o sono uma da outra, o banho que tomo de porta aberta caso elas acordem…

Eu estava livre. Sim, LIVRE!!! Para fazer o que eu quisesse, dormir a hora que eu quisesse e o melhor; acordar a hora que eu quisesse!

O pesadelo da separação de repente virou o sonho de um pouco de tempo para mim. Pois há quase 5 anos nunca havia ficado em casa durante a noite sem a presença delas.

Sentei no sofá, fiz um balde de pipoca, e por lá fiquei horas vendo televisão sem olhar uma vez que fosse que horas eram. É claro que enquanto não recebi um whatssap do pai dizendo que elas dormiram, não sosseguei. Depois disso fiquei mais tranquila e pude relaxar um pouco.

Fui dormir as 2 da manhã e acordei as 10.30!!!! Sim, as 10.30!!! Foram 8 horas e meia de sono sem interrupção alguma e o melhor, acordei quando meu corpo pediu. E que sensação boa que eu não sabia mais como era…

Imediatamente me caiu a ficha e a neura voltou; Meu Deus, elas acordam as 7 horas…. Será que dormiram bem, será que o pai deu o leite,  tirou a fralda da Manu?

Mas prometi que não mandaria 25 mil whatsapps, pois obvio que se algo não estivesse bem, ele me ligaria.

Fiz meu café da manhã, sentei com calma, escutei musica, tomei um banho demorado e pronto, a manhã já tinha passado. Logo mais estaria com as pequenas de novo!

O combinado seria que eu pegaria elas depois do almoço. Deixaríamos essa primeira vez por pouco tempo para ver como seria , e também para elas terem vontade de repetir. Quase que o mesmo processo que em uma adaptação na escola.

E para minha surpresa quando liguei para buscá-las começaram a chorar pedindo para ficar com o pai. E ele obviamente amou e se prontificou a ficar com elas até a hora que elas quisessem.

Foi a melhor noticia do dia, ou talvez; a melhor desde que me separei. Pois mostrou que meu coração estava certo desde o começo, e que estamos indo pelo caminho que pode até não ser o ideal, mas que é o que deixa elas felizes. E só isso que importa.

Voltaram no final do dia felizes, exaustas, imundas, e pela primeira vez  tive o maior prazer e paciência em dar um banho, fazer o leite, escovar os dentes e até achar graça nas brincadeiras que elas fazem antes de dormir.

O que uma noite de sono não faz ….

 

 

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20 julho, 2015
Por Katia Ouang

Eu já falei várias vezes sobre a relação entre as meninas e o quanto isso me desanimava ou muitas vezes me enlouquecia. Parece que passavam 90% do dia brigando e se provocando, e o restante se “tolerando”.

Sempre sonhei que elas fossem muito amigas pois tem uma diferença pequena de idade. Mas essa diferença ainda pesa, e muito. Talvez fique imperceptível daqui uns anos. Mas enquanto não fica, tenho que passar boa parte do tempo separando as brigas e as crises de ciúmes da Bruna.

Porém, uma luz no final do túnel tem aparecido sutilmente e melhor, em um crescente.

Tenho me surpreendido com momentos mais frequentes de carinho e amizade  entre elas e percebo o quanto isso me traz paz, felicidade e uma tranquilidade que nunca imaginei ter. Vejo quanto é importante ter um irmão e criar esse laço de amor. Ainda mais agora que estou separada. Saber que elas sempre terão uma a outra, é algo que me faz muito feliz.

E é claro, a tendência natural é que elas se identifiquem conforme o desenvolvimento da Manu  vai se aproximando da Bruna. Hoje elas conversam, brincam, interagem e uma virou uma companhia para a outra. Na maioria das vezes elas me deixam louca com as brigas e provocações. Mas isso tem sido neutralizado por momentos em que vejo elas juntas e principalmente, quando a Bruna resolver deixar o ciúmes de lado e curtir a Manu de verdade.

Muitas pessoas pensam que quem se separa sem filhos é mais fácil que com filhos. E eu afirmo que se não fossem elas, eu estaria bem pior. O amor delas me supre absurdamente. A ponto de eu esquecer meus problemas para focar apenas em cria-las e educá-las.

E agora ainda estou tendo a benção de viver essa nova sensação que é vê-las crescendo e criando laços. Além é claro, de se tornarem minhas amigas e companheiras!

Ontem eu estava exausta, desanimada, com preguiça de começar a semana. Fui arrumar a cama delas e quando volto, me deparo com a Bruna dando o leite da Manu e fazendo carinho nela. Ainda falou : “Mamãe, coloquei o laço na Manu igual ao meu para ela fica feliz”!

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Algo que pode parecer comum para muitos e acontecer em outras casas, mas aqui é novidade.

E posso garantir que me encheu de amor e energia , pois é por elas que faço tudo!

 

E para quem ainda tem dúvida se vale a pena ter o segundo…. eu digo; não pensaria 2x !

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Não é para morrer de amor!?

Bom começo de semana….

beijos

*K*

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15 julho, 2015
Por Katia Ouang

Capturas de tela89

Esse ano tive o privilégio de ir algumas vezes para uma praia muito gostosa onde minha família alugou casa em alguns feriados. Praia menor,mais vazia, plana e de mar calmo. O que facilita muito para quem tem crianças.

Toda vez que volto de lá chego a conclusão como criança ama praia e natureza, e como precisam de muito pouco para se divertirem.

Me veio a reflexão do quanto nós pais ficamos muito mais ansiosos que as crianças em poder proporcionar o mundo, sendo que o mundo deles é muito fácil, simples e acessível.

Preciso levar meu filho para a Disney”, ”  preciso fazer uma festa de 1 ano”, “preciso comprar o lançamento da Barbie que ela quer muito”… Será isso mesmo?

Parece besteira, mas me emociono em ver minhas filhas e meus sobrinhos brincando na praia. Muitas vezes sem um baldinho, um brinquedinho, uma bola, nada. Podemos ficar horas por lá que eles estão sempre se divertindo e achando o que fazer.

Seja sair correndo livres sem medo de caírem e se machucarem ( quer liberdade maior que essa?)

Seja pulando onda,

Construindo castelos, bolos, casas e o imaginário em areia,

Cavando buracos,

Procurando a conchinha mais bonita,

Se enterrando na areia,

Esperando a onda vir para pular,

Sentindo a diferença de textura entre a areia seca e molhada,

Vendo peixinhos que aparecem de vez em quando,  ou caranguejos no anoitecer…

A natureza desperta os sentidos das crianças de uma forma incrível e estimula a explorarem e se sentirem curiosos com recursos muito simples. Vejo isso pois como não tenho casa na praia ou fazenda, costumo viajar com elas com uma certa frequência para conhecer hotéis perto de São Paulo e em muitos deles, tem um mundo para crianças. Nem por isso elas aproveitam mais.

E minha alegria maior foi poder sentir que cada vez mais, começo a ter um pouco de liberdade. Consegui tomar sol, ler uma revista, e fiquei sentada de longe observando elas brincarem, só levantava pagar o sorveteiro! Único consumo que pudesse tentar as crianças durante esses dias,  e outro ponto que me emociona muito…  Ver as crianças correndo quando o carrinho passa buzinando é demais. A carinha delas escolhendo o sabor e ganhando um sorvete,  posso garantir que é tão linda ou até melhor que ganhando um brinquedo.

Capturas de tela90

 

E ficam meus pensamentos de hoje depois de 5 dias felizes praticamente isolada na praia… Onde cheguei à conclusão que temos a vida toda para proporcionar tudo que desejamos para os nossos filhos.

Hoje quero que elas me peçam para voltar para a praia, qualquer praia ….

A Disney temos muito tempo ainda parar ir!!!

Para a Manu, essa é a Disney dela:

 

 

 

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8 julho, 2015
Por Katia Ouang

Desde que voltei da minha viagem para NY sem as meninas estava ensaiando fazer um post sobre esse assunto. Pensei algumas vezes que poderia não ser legal para quem está próximo a uma viagem sem filhos, mas no final isso não importa. Por que como sempre é um momento muito particular, onde cada pessoa reage de uma maneira diferente e a cada viagem, é uma nova experiência.

Digo isso pois nosso sentimento não muda. Mas os filhos crescem e começam a ter uma compreensão melhor de tudo. Podem se expressar, falar pelo telefone, pelo facetime e ainda colocar para fora o que estão sentindo. O pode ajudar, mas também dificultar em alguns momentos.

Pensei 1 milhão de vezes em não fazer essa viagem. Afinal de contas quando planejei ainda estava casada e contava com o suporte do pai delas em casa enquanto eu estivesse fora. Mas graças ao apoio dos meus pais e suporte que eles deram na minha ausência não desisti. Fui , aproveitei, e foi excelente para mim. Não só em termos de agregar profissionalmente , mas para a minha cabeça. Consegui sair um pouco do “caos” daqui e respirar, fazer tudo com calma, pensar em mim, me recompor , e injetar muita energia e força para continuar meu dia a dia .

Antes dessa viagem eu havia deixado a Bruna 1 vez, e as duas juntas outra. Contei em detalhes em outro post ( aqui) como foi a última vez. E havia prometido que não viajaria tão cedo sem elas. E foi o que aconteceu… 2 anos se passaram e não tive coragem de deixa-lás.

Então o panorama já seria bem diferente dessa vez. Elas um pouco maiores, onde já compreendem tudo, estão na escola ( o que ajuda a ocupar o tempo durante a semana), porém com uma dificuldade que eu não contava;a separação. O que deixou as meninas obviamente mais carentes e passando por um processo de adaptação que não é nada fácil.

Será que viajar nessa fase não seria ainda mais um agravante emocional para elas?

Passei as 2 semanas que antecederam a viagem sofrendo demais. Me segurava durante o dia todo para não chorar. Pois sempre que olhava elas tão pequenas ( sim, ainda são muito pequenas), passando por tantas mudanças e ainda longe da mãe por 1 semana, desabava.  Quando comecei a fazer as malas então, tinha a sensação que ia desistir a qualquer momento.

Por nenhum dia escondi delas que eu iria viajar. E mantive isso até a hora de embarcar. E elas me pareciam bem  tranquilas, não choraram ou demonstraram insegurança nenhuma vez. E eu é claro dizendo que seria rapidinho e que eu traria um monte de presentes para elas! Melhor assim… nenhum choro antes da hora,  um sofrimento a menos para mim.

O que me apavora todas as vezes e que me faz perder o sono na véspera da viagem é imaginar a hora da despedida. Chorei muito na noite anterior, me culpei muito, e estava apavorada em dizer “tchau, a mamãe já volta“.

Meu Deus, tem hora pior que essa?!

E no “Dia D” tudo saiu melhor do que eu sequer imaginava. Consegui fazer uma despedida bem rápida e combinei com a minha mãe que logo em seguida ela já levaria as meninas para passear. E pasmem, não chorei, uma lágrima sequer!

Melhor assim. Menos sofrimento para todo mundo.

Hora de pouso e decolagem do avião prefiro não comentar o quanto rezo para que nada aconteça. É um momento bem tenso para mim que já detestava viajar de avião sem filhos, imaginem com.

Os 6 dias inteiros que fiquei longe delas foram um misto de sentimentos. Tanto para mim, quanto para elas. Que por vezes vinham toda empolgadas falar comigo no facetime, vezes não queriam me ver e outras ainda choraram. Óbvio que chorei junto.E para mim, uma sensação enorme de culpa que me perseguiu por todos os dias, mas também uma sensação maravilhosa de liberdade que eu nunca havia sentido. Eu pude fazer tudo com calma, pude dormir, pude pensar na vida, pude caminhar… E querem saber, foi muito bom! Tão bom que se eu puder e tiver amiga para ir, quero me dar esse “luxo” alguns momentos da minha vida.

E o mesmo vale para casais. Acho que é sim necessário uns dias para o casal. Acho saudável sair um pouco, lembrar como é bom curtir a vida a dois e renovar o casamento. Isso é claro, se tiverem com quem deixar os filhos e principalmente, com deixar e que supra a falta emocional que os pais fazem. Isso faz toda a diferença.

Hoje as meninas ainda falam da minha viagem, perguntam algumas vezes se eu vou viajar de novo ( é claro que para ganharem um monte de presentes!) e estão aí ótimas, sem nenhum trauma. E uma despedida menos traumática dessa vez  me deu segurança e incentivo para ir um dia de novo. Espero que isso seja um crescente!

Cheguei a conclusão que as vezes pensar um pouco em nós pode ser benéfico para todos a nossa volta. E acredito que daqui para frente fique mais fácil para mim , e para elas. Mesmo porque tenho que me acostumar que muitas vezes quem irá me deixar são elas, e que provavelmente viajarão com o pai por dias em muitos momentos.

Mas isso é um novo desafio que definitivamente, quero deixar para pensar quando tiver que passar por ele.

Beijos e Bom Feriado!

*K*

kiss

 

 

 

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29 junho, 2015
Por Katia Ouang

Assim como o terrible two, acredito que os posts sobre o sono das meninas sempre aparecerão por aqui . Pois como vivo dizendo, criança é uma caixinha de surpresas que de um dia para o outro muda radicalmente.

Há tempos que vocês acompanham essa minha sina em fazer com que ela durmam em sua própria cama e não venham mais para o meu quarto de madrugada. O ultimo post em abril, falava da minha alegria em ter conseguido depois de meses ,fazer a Bru dormir a noite toda no seu quarto.

Desde então, meu objetivo 1 era fazer a Manuela dormir a noite toda na sua cama e não vir mais para a minha e 2, conseguir colocar as duas ao mesmo tempo para dormir.

Não quero contar como consegui ter êxito nesses meus dois objetivos pois a real é que voltei a estaca zero agora. Passei uns 2 meses muito feliz em ter colocado “ordem na casa” , e mais uma vez voltei para trás e praticamente zerei todo o meu esforço e dedicação.

Tudo culpa dos dias que a Manu ficou doente há 1 mês, e que teve febre por 5 dias direto, lembram? Durante esses dias eu simplesmente não podia cogitar dormir longe dela. Pois neurótica que sou, passo a noite toda medindo a temperatura. Dormimos as 3 juntas por 4 noites na casa dos meus pais e então perguntem o que aconteceu depois? Quem disse que elas queriam voltar a dormir sozinhas?

Me empenhei mais uma vez em retomar nossa rotina. E rapidamente consegui fazer com que elas voltassem a dormir cada uma na sua caminha. O problema é que elas vem todas as noites para minha cama. TODAS! E cada uma no seu horário.

Juro que tentei por dias levá-las de volta. Levantei quantas vezes fossem necessário sabendo que uma hora daria certo. Mas 1 mês se passou, eu praticamente não dormi, e elas continuam vindo.

Sinceramente eu não aguentava mais pingar as madrugadas, comecei a ficar exausta por dormir mal, mau humorada… e então resolvi que não ia mais fazer nada. Querem vir, que venham.

Percebi que dessa maneira eu conseguia dormir um pouco mais. Pois na minha cama elas dormem a noite toda e ainda passam um pouco das 7 da manhã, algo que nunca acontece no quarto delas. Muitas noites nem vejo elas entrando na minha cama e com isso consegui descansar melhor. E claro, quem não ama dormir agarrada com os filhos. Ainda mais eu nessa fase que estou sozinha com elas.

Tudo que eu não queria é que elas dependessem da minha presença para dormir bem. Mas sei que isso é super comum nessa idade e logo mais elas não vão querer mais vir.

Ok, fui levando esses dias de cama compartilhada sem culpa e sem nenhum plano de leva-las de volta de novo. Pois sinceramente, dormir qualquer minuto a mais, é hoje prioridade para mim.

Coloquei as duas direto na minha cama pois todo domingo o que quero é que elas durmam o quanto antes para eu poder tomar um banho e relaxar um pouco.

Lá por 2 da manhã a Manu tossiu tanto que engasgou e vomitou na cama toda. Em mim, na Bruna, nos travesseiros… Minha vontade era de chorar de desânimo… Não sabia nem por onde começar a limpar tudo. Principalmente porque meu colchão é king e estava sem forro. Podem imaginar o perrengue? Dei banho na Manu, coloquei ela na sua cama, fiz dormir ( levou 40 minutos), troquei meu pijama, levei a Bruna dormindo para a cama dela, troquei ela. Tirei todo o meu lençol, as fronhas, limpei o colchão com vinagre, coloquei outra roupa de cama… E quando eu volto a dormir, a Manu aparece, vomita a 1 cm da cama…. lá vou eu limpar o chão, trocar o pijama dela… Resumo da madrugada; dormi das 5 as 6.30 e hoje estou cheia de trabalho e com a cabeça fritando.

E então depois dessa noite deliciosa, voltei a pensar sobre cada um dormir na sua cama. Tenho que facilitar minha vida sim,  mas não posso esquecer de momentos como esse que se a Manu estivesse na sua cama, era 1 só uma mini cama  para trocar e colocar de volta.

Começo assim a semana e como sempre, torcendo por uma noite inteira de sono!!!

beijos

*K*

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22 junho, 2015
Por Katia Ouang

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O diário de final de semana hoje é um pouco diferente. Retrata como tenho passado com as meninas desde que me separei e mostra o lado difícil ,mas também com algumas compensações.

Quero começar falando um pouco sobre a guarda das meninas, que é algo que mais me perguntam por aqui. A real é que não estipulamos regra alguma, e Graças a Deus, tem funcionado bem desse jeito. Seja para mim, para o pai,  e para elas. Escolher o dia para o pai ver, ou o esquema padrão de levar elas na sexta e devolver no domingo, não é o que queremos. O pai vê todas as vezes que quiser e quantas vezes quiser. E aos finais de semana o que combinamos a curto prazo, é que elas dormem comigo sempre e nos revezamos por períodos. Um fica sábado até as 3 da tarde e dá almoço, e outro fica o restante do dia e dá o jantar. No domingo  quem ficou no dia anterior na parte da manhã, fica a tarde.

E qual a vantagem desse esquema? Não sobrecarregar para mim ou para o pai, e fazer com o que o tempo que passamos com elas seja mais intenso e produtivo do que cansativo. Assim cada um de nós além de poder estar com elas diariamente, ainda temos meio período no sábado ou domingo para descansar um pouco e fazer algum programinha sem crianças. E isso também não é rígido; se alguém não puder ou mesmo se alguém quiser ficar mais tempo, é tudo questão de conversar. Então vocês podem imaginar, como nunca tivemos babá ou empregada aos finais de semana o que já era difícil e cansativo a dois, imaginem para 1 pessoa só. E apesar do pai se virar perfeitamente bem com elas sem ajuda, temos que concordar que não é tão simples para um homem ficar com 2 meninas pequenas como para a mãe. Por isso divimos um pouco para cada um, para que ambos consigam curtir sem chegar no seu limite, algo que elas sentiriam e não seria legal para ninguém.

O que não queremos de jeito nenhum é que elas sofram e fiquem em meio à uma disputa de datas e horários. Já bastam todas as mudanças e inseguranças que uma separação traz, então queremos que elas se sintam amadas o tempo todo, e que tem o pai e a mãe quando quiserem. Não quero de maneira alguma que elas se sintam jogadas de um lado para o outro tendo obrigação de ir para a casa de um, ou para a casa de outro. Elas amam ficar com o pai, mas já aconteceu de estarem cansadas e falarem que não queriam ir. Nunca forçamos. Elas são muito pequenas. E uma conduta errada nessa fase pode trazer consequências para sempre.

Se está certo dessa maneira? Não sei.

Mas será que está certo para duas crianças pequenas, que viam o pai todos os dias e cresciam sob a sua proteção e carinho, o vejam apenas 1 ou 2 vezes por semana com horário marcado?

Muitas amigas próximas me perguntam se não seria melhor para mim dividir os finais de semana, 1 para cada , assim eu poderia tocar a minha vida, sair , viajar, curtir um pouco. E eu digo, terei a vida toda para fazer isso. E minhas filhas serão pequenas por muito pouco tempo. O tempo que precisam da mãe por perto.

Nesse ultimo sábado especialmente, combinamos que elas dormiriam no pai. Eu ficaria o dia todo, ele pegaria no final do dia, e elas voltariam domingo a tarde. E eu já estava super animada em poder sair com umas amigas e acordar tarde no dia seguinte!

No sábado pela manhã sai sozinha com elas. Como estava frio e as duas gripadas, fomos ate o shopping brincar em um espaço kids e comer um docinho. Elas aprenderam que agora saem sozinhas comigo e tem que se comportar. E eu não tenho escolha. Ou saio com as duas e me viro, ou fico em casa. E elas tem me orgulhado muito , pois quando digo; ” Hoje voces estão sozinhas com a mamãe e tem que se comportar”, parece que elas amadurecem e sabem que eu preciso dessa ajuda. Não é fácil, muitas vezes é uma loucura. Mas vamos nos adaptando e encarando de uma forma mais light.  Hoje agradeço por ser uma mãe que nunca dependeu de ninguém para fazer nada. Mas confesso que uma folguista está na minha lista de desejos atualmente! Apesar de que não sei se gastaria com isso depois que encarei as fases mais puxadas sem. Só não descartei essa possibilidade pois estou vivendo na pele o que é ficar sozinha com duas crianças e ter que fazer tudo. É de enlouquecer….

Saindo do Shopping, quando fui colocar a Bruna na cadeirinha, senti ela quentinha. Coloquei o termômetro e pronto; 38 de febre. Nessas horas vou correndo para a casa da minha mãe  assim consigo ter uma ajuda caso eu precise. E também porque me sinto muito mais segura. E com febre, nada de dormir longe de mim. Prefiro cuidar do que passar a noite ligando para o pai para ver se esta tudo bem. Então combinamos que nesse dia elas ficariam comigo na minha mãe. Liguei para as amigas, desmarquei o programa da noite, e paciência. Vida de mãe é assim….

Passamos a tarde toda lá na minha mãe, pedimos uma pizza ( que agora as meninas amam!) e então a febre baixou e voltamos para casa. Dei banho nas duas, dei o leite , e então a Manu começou com aqueles ataques de  tosse que não param, e a febre da Bru voltou a subir. Essas horas são bem complicadas, as mais difíceis para mim. Pois ficar sozinha com as duas a noite é algo que foi difícil para me adaptar. Agora ficar sozinha com as duas doentes…. Meu Deus. O jeito foi colocar as duas na minha cama e ficar de plantão.

Não dormi nada. Mas felizmente pela manhã a febre da Bru sumiu e a Manu estava melhor.

O pai veio buscar, mas já mandei a “farmacinha” junto, e mandei ele ficar de olho.

Assim que elas saíram pensei; ” vou dormir até as 4 da tarde” ! Tomei café da manhã com calma ( algo inédito na minha vida) e me preparei para voltar para debaixo do edredon. Quando então percebi que o que eu queria mesmo era ficar a toa por aí, já que o dia estava lindo. Então coloquei um tênis, uma roupa de ginastica e decidi sair. Assim que entrei no elevador o pai ligou; Bruna com 38 de febre! Meu instinto na hora foi dizer; “Estou indo para aí pegar ela”. E o pai disse; ” Não liguei para você pegar ela, só quero saber quanto eu dou de novalgina, ela vai ficar aqui comigo e você não se preocupe, vai fazer suas coisas“.

Como assim não se preocupe? Dá para não preocupar? E então me caiu a ficha que nem sempre eu terei o controle de tudo. Que o pai vai cuidar com o mesmo amor e carinho e que não vai deixar nada acontecer. E que também é um aprendizado para ele ficar com essa responsabilidade.

Respirei fundo , sai de casa, e resolvi desligar o botão. Andei mais de 1 hora, olhei no relógio e então percebi que apesar de ser meio dia, eu não precisava voltar para casa para fazer almoço ou porque o sol estava muito forte para elas….!!!  E acreditem, essa sensação é maravilhosa. Então aluguei uma bike, pedalei por quase 1 hora, sem olhar no relógio.

Voltei renovada para casa. Tomei um banho e fui almoçar e passear com a minha mãe . Almoço demorado, as 3 horas da tarde?! Há quanto tempo eu não fazia isso?!

E então o pai manda uma mensagem dizendo que estavam no Shopping pois a Bruna estava sem febre. Como assim shopping? Criança que tem febre tem que ficar quietinha em casa. E é isso que eu digo que muda de homem para mulher. E que eu tenho que respirar fundo e desencanar.

Busquei elas na volta do passeio. A Bruna com febre , a Manu com tosse. Mas eu tive um dia renovador. Melhor do que ficar dormindo em casa, foi fazer o que eu queria, sem hora para acabar.

E foi bom, pois a noite foi tensa por aqui. Ninguem dormiu, todas com tosse, febre que vai e vem….

E assim começa mais uma semana…

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10 junho, 2015
Por Katia Ouang

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Fiquei realmente impressionada com a quantidade de leitoras que me escreveram após a notícia da minha separação. O carinho que recebi foi essencial para me dar força para não desistir do blog ( algo que confesso ter pensado em fazer) , e também começar a abordar um tema que infelizmente não era o que eu imaginava fazer por aqui, mas que hoje é mais comum do que muita gente imagina.

De maneira alguma quero transformar um momento tão difícil da minha vida em um reality show e muito menos deixar o blog com um clima de tristeza. Quero apenas mostrar como tem sido a minha nova vida com as meninas e mostrar que é possível sim recomeçar mesmo com todas as dificuldades e desafios que a separação traz.

Ninguém imagina o “pacote” que vem junto com uma separação, e você só se dá conta disso quando está vivendo esse momento. O lado bom ( se é que podemos chamar de bom) , é que tem tanta coisa envolvida no processo que o nosso próprio sofrimento fica em último plano.

De um dia para o outro tudo muda radicalmente. E você tem que aprender a viver de uma outra maneira. E não tem meio termo. Então, o que não tem remédio, remediado está. E temos que aceitar essa mudança. É difícil, dói demais, mas a gente sobrevive, cresce, amadurece e aprende que podem existir outras formas de felicidade e também um outro formato de família.

A promessa que me fiz é que não deixaria meu sofrimento afetar a cabecinha das minhas filhas, pois eu sei que posso me virar. Mas elas dependem de mim. Dependem da minha força, da minha alegria e principalmente ; da minha estrutura emocional.

É claro que não sou essa fortaleza toda que vocês imaginam. Eu desabo por muitos momentos, e isso faz parte de todo o processo de mudança. Mas graças ao apoio da minha família  sei que não estou sozinha, e isso faz toda a diferença. Pois a primeira sensação que você tem quando se separa é; ” O que será da minha vida sozinha com 2 crianças!? Será que vou dar conta? E se eu ficar doente? E se eu precisar de alguém de madrugada?”

Por isso, sempre que possível, vou abordar algumas dessas questões por aqui. E já adianto que o ponto que mais pesou em todo esse processo foi o sofrimento das meninas. Isso é o mais difícil de lidar sem dúvida alguma. Você simplesmente deleta o seu sofrimento quando vê sua filha com lágrimas nos olhos e questionando todo esse novo panorama. Nada dói mais do que isso. E como tudo na maternidade, nos traz muita culpa. Culpa que só o tempo ameniza e vai mostrando que só depende de nós pais  transformar esse sofrimento em uma nova forma de amor e união.

Vou também contar sobre a rotina delas entre uma casa e outra, como elas reagiram e como ainda reagem, a difícil tarefa de educar, como são meus finais de semana sem ajuda, as viagens, enfim…. Aos poucos alguns temas vão ficando mais claros para que eu consiga falar não apenas do lado triste, mas também  do lado positivo de tudo isso. Porque o tempo ameniza e ajuda sim! Podem acreditar.

E Graças a Deus tenho um ótimo relacionamento com o pai delas,  que é e sempre foi um super pai , e muito presente como sempre elogiei por aqui. E isso é essencial para que elas se sintam seguras e muito amadas . Não deixamos de ser uma família,  e é isso que eu tenho compreendido cada dia mais.

Hoje eu digo com todas as letras, eu AMO essas meninas mais que qualquer coisa nessa vida. E AMO ainda mais os meus pais que mostram a cada dia o que é ser pai, o que é ser mãe, e o que é acolher de verdade um filho. E é assim que eu tenho agido com elas.

E o lado bom disso tudo? Minha relação com elas está infinitamente melhor e mais forte. Hoje além de minha filhas , viraram minhas companheiras de verdade, minhas amigas, meus grudinhos. Estou mais paciente, mais amorosa e isso tudo se reflete em um melhor comportamento no dia a dia.

E a vida tem que seguir não?!

Obrigada mais uma vez de coração.

Graças ao carinho de vocês vou continuar por aqui, firme e forte ,e com vontade de mostrar para quem já  passou ou passa por uma separação , que é possível a gente tocar a vida e aprender muito com ela. Conto com vocês !

Beijo enorme!

*K*

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24 maio, 2015
Por Katia Ouang

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Estou de volta e cheia de novidades para vocês! Antes de começar os posts sobre NY e a feira que visitei, gostaria de agradecer as inúmeras manifestaçoes de carinho que recebi pelo último post. Não imaginava tantas mensagens lindas e torcendo por mim. Foi de emocionar.

Confesso que fiquei muito insegura antes de publicar pois nao sabia qual seria a reação das minhas leitoras. Ok, eu nao devo satisfação para ninguem, mas não estava confortável em continuar postando sem contar esse lado da minha vida. Principalmente por ser um blog sobre maternidade onde minha vida em família era contada da forma mais sincera e real que eu conseguia .

E como expor para as tantas mães e leitoras que acompanham minha vida há tantos anos e que se identificam comigo e com a minha familia, que toda a minha estrutura e rotina mudou completamente?!

Será que vocês ficariam decepcionadas? Deixariam de ler o blog? O melhor então seria continuar a postar e não falar nada….

Mas percebi o quanto as leitoras me conhecem , e aos poucos foram percebendo que algo havia mudado.

Quando começaram a me questionar onde estava o pai das meninas, que sempre aparecia nas fotos e nas viagens, começou a me incomodar. Deixei de responder a quem me perguntasse, mas não me sentia bem com isso. Omitir um momento tão marcante na vida de uma familia em um blog que fala sobre maternidade, não me parecia sincero.

E então me caiu a ficha que eu continuarei sendo a mãe que vocês seguem, com a minha conduta de educação, meus princípios, minhas manias mas com alguns desafios e dificuldades a mais. Pois só quem se separou com filhos pequenos sabe o quanto é dificil encarar essa jornada.

Vou sim falar mais sobre isso no blog , pois percebi que essa força e energia positiva fizeram muito bem para mim e que muitas pessoas querem saber sobre como tem sido a reação das meninas, minha nova rotina, meus finais de semana… enfim, tem muito assunto pela frente que infelizmente não são os temas que pensei em um dia compartilhar, mas que são reais e existem muito mais do que eu imaginava.

A viagem foi ótima, apesar de eu ter sofrido muito por ficar longe delas. Meu objetivo número 1 era visitar a NSS , Feira de Papelaria ( que vou contar depois em detalhes) assistir as palestras, visitar algumas marcas e rechear a cabeça com novas idéias e informações. Objetivo cumprido! Vi muita coisa interessante , trouxe algumas técnicas novas e estou super animada em implementar tudo isso na minha marca ( para quem nao sabe, é a Paper K).

Objetivo 2; visitar lojas do mercado baby e kids, garimpar os melhores preços, achados e produtos,  e então passar para vocês um roteiro de compras e visitas para quem for viajar e quiser otimizar tempo e dinheiro nas comprinhas. O mesmo que fiz há 4 anos quando montei o roteiro de enxoval baby em ny ( veja aqui). Objetivo 2 cumprido! Tenho muita dica bacana para postar.

Percebi nessa minha primeira viagem sozinha com uma amiga o quanto é importante tirar esse tempinho para nós. Minha companheira de viagem e amiga do coração, a Andrea, também deixou seus pequenos em casa ( gêmeos de 3 anos), e o marido. Então uma compreendia a outra, o que é essencial na hora de viajar com uma amiga. Pois muitas vezes parávamos tudo que estávamos fazendo só para ficar no Facetime com as crianças, se emocionar com alguma mensagem de voz deles dizendo “Mamãe, volta logo, te amo” , perder horas jogando papo fora, se acabar em uma arara de liquidação sabendo que eles não precisavam mais de nada , andar pela cidade sem rumo ou hora para voltar para casa , ou apenas comendo um sanduiche em um canto qualquer sabendo que poderíamos ficar lá pelo tempo que quiséssemos. E é claro, dormir algumas noites sem interrupção e acordar mais tarde! E viajar depois que você tem filhos é isso; lembrar que você existe e que é uma delícia poder ter um pouco de liberdade. E sim, faz muito bem.

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A saudades são sempre sofridas pois vem acompanhadas de muita culpa. E os dias que antecedem a viagem também. Cada pouso ou decolagem é pedir a Deus para que nada aconteça pois tem 2 mini pessoas que eu amo mais que tudo e que dependem de mim.

Graças a Deus  consegui relaxar, passear, me informar, e ter um tempinho para acordar mais tarde. Aproveitei para andar muito a pé e sozinha e pensar na vida, o que me trouxe um banho de energia para recomeçar e voltar super animada.

Comprei o mundo para elas e nada para mim. E percebi dessa vez o quanto é prazeroso comprar agora que elas já são maiores e tem gosto e vontade própria . Cada coisinha que eu via e imaginava o quanto elas amariam ganhar, comprava com o maior prazer do mundo só para poder ver a carinha delas recebendo.

Tenho muito assunto para falar por aqui, aos poucos vou postando todas as dicas e novidades e também como as meninas tem reagido a toda essas mudanças.

Mais uma vez muito obrigada pela força que vocês tem me dado. Me sentir abraçada em um momento tão difícil foi mais importante do que eu imaginava. A vida continua, e temos que levantar a cabeça e tentar transformá-la em algo muito melhor.

E que venha uma nova fase em que eu possa compartilhar com vocês mais ainda o que é ser mãe e profissional mesmo em meio a todas as dificuldades.

E vamos começar a semana renovada e lotada de posts novos para vocês!

Um beijo enorme, *K*

 

 

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