Por Katia Ouang

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Tenho recebido alguns e-mails e mensagens perguntando porque nunca mais eu falei sobre assuntos relacionados à minha separação.

Por um tempo pensei que não seria bacana eu falar sobre isso, ou mesmo que não interessasse a grande maioria das leitoras que são casadas.

Engano meu.

Descobri que… existem muito mais casais separados do que eu imaginava. Uma pena. E essas mães separadas querem e precisam saber como enfrentar esse desafio que é criar os filhos sem a presença do pai em casa. E para isso nada como compartilhar experiências e mostrar que não somos uma exceção;  que existem milhares de mulheres nessa mesma situação cheias de dúvidas e inseguranças .

Infelizmente esse é o panorama da nossa geração , onde a maioria dos casamentos termina na fase dos filhos pequenos, como foi o meu caso.

O lado positivo das crianças serem pequenas é que não vivenciaram os pais juntos por muito tempo,   mas é ruim pois a logística com os pequenos é muito mais complicado. As crianças dependem dos pais para tudo; comer, se vestir, ir ao banheiro, tomar banho…. algo que com filhos maiores, fica um pouco mais fácil administrar.

Quando me separei, a Manuela tinha 2 anos e meio e a Bruna, 4.  Totalmente dependentes de mim e muito pequenas ainda para decidirem qualquer coisa. Isso não quer dizer que não sofram, não sintam ou que não tenham vontade própria. A Bruna sofreu bastante.

Em razão disso me propus até  a Manu ter uns 5 anos pelo menos, ir aos poucos organizar a nova vida de todos. Sem muita regra ou obrigação. A prioridade é apenas uma; o bem estar e a felicidade das minhas filhas. Mesmo que para isso eu tenha que abrir mão de muitas coisas.

Esse tempo integral com elas é muito curto perto da vida toda que temos pela frente. Um tempo essencial para que elas possam crescer sem traumas e seguras. Decidi , claro com o consentimento e aprovação do pai , que tudo seria feito com a maior calma do mundo. Que adaptaríamos a vida delas como filhas de pais separados sem a mínima pressa, sem forçar absolutamente nada.

Temos um esquema um pouco diferente dos casais separados. Ou melhor, não temos ainda um esquema bem estruturado. Estamos moldando ao longo dos meses, testando o que dá e o que  não dá certo, observando se elas estão felizes…  e assim tem funcionado.

O pai vê quando e como quiser, e quantas vezes quiser. Não acho justo com qualquer pai que se separa de um dia para o outro , perder a convivência com os filhos e ver  somente às quartas feiras e 2 finais de semana por mês.  As mães que não deixam os filhos verem o pai com frequência, seja por estarem  brigadas com eles, seja por raiva ou mesmo para puni-los, não percebem o quanto isso é prejudicial às crianças. O vinculo com a mãe é sempre natural, mas com o pai é algo que se fortalece a cada dia, a cada contato… Privar os filhos dessa convivência não apenas o afastam do pai,  como pior, aumentam ainda mais a responsabilidade e tarefas da mãe. Poder dividir com o pai a educação e criação dos filhos é algo que facilita a nossa vida e nos traz tranquilidade. Pois sabemos que em qualquer emergência ou dificuldade, as crianças estarão em boas mãos pelos dois lados.

Optamos a curto prazo por apenas alguns compromissos;  como buscar na escola pelo menos 2x por semana ( dias fixos)  e em seguida dar jantar a elas e fazer as tarefas da escola juntos, e dormir  2 sábados por mês, uma vez que o pai entra antes das 7 no trabalho e durante a semana seria muito puxado e desnecessário. Dentro desse esquema ele acaba vendo elas muito mais do que isso, dorme muito mais do que o combinado, e faz tudo com o maior prazer do mundo. Pois sabe que não é uma obrigação. Se por acaso ele não pode jantar um dia pois tem compromisso, ele pega no dia seguinte e assim vai. Se não pode dormir um sábado pega na sexta. Se eu preciso sair ele fica numa boa. E principalmente quando elas demonstram alguma vontade como não querer ir com o pai algum dia ou o contrário, querer ficar mais tempo , respeitamos a vontade delas sem forçar nada.

Os finais de semana que elas dormem comigo, eu e o pai revezamos…. um fica sábado, o outro domingo, ou um fica meio período em cada dia…  Isso permite que elas estejam com pai e mãe sempre.

E porque isso funciona para nós?

Não tenho nenhum tipo de ajuda aos finais de semana, e nem ele. Então é muito puxado ficar de sexta a segunda com duas crianças pequenas….  Brincando, dando banho, fazendo comida, passeando, aguentando birras, levando ao banheiro…. Dessa maneira conseguimos dividir o tempo, quando um está exausto, o outro pega. E isso ajuda a termos mais disposição e boa vontade quando estamos com elas, pois conseguimos ter um tempo livre para respirar e recuperar as energias. Já não era fácil quando éramos um casal cuidar das duas…  imagina cada um com a carga em dobro.

Se é o ideal?

De maneira alguma.  É o que funciona por aqui e não necessariamente funcionará em outra família . E obviamente não funciona para casais que não se falam ou estão brigados. Para esses  casos cumprir a lei é a melhor solução. Assim não tem discussão , não tem briga.

Nossa idéia é adaptar não apenas as crianças mas também nós pais.  Assim com um pouco de tempo e paciência as crianças não sofrem tanto. Pois sinceramente, morro de dó de crianças pequenas que de um dia para o outro tem que sair com uma mala para passar o final de semana com o pai. Não custa nada fazer essa adaptação com calma.

Levei 6 meses ate deixar as meninas dormirem a primeira noite fora de casa. Não por não confirar no pai, mas sim por elas não se sentirem preparadas para isso. Deixei assim até o dia que elas me pediram e foram com a maior felicidade do mundo. E aos poucos estamos aumentando essa frequência até chegar no momento que entraremos em uma rotina fixa.

Muitas mulheres esquecem que a mãe se vira, está preparada para tudo. Mas que nem todos os homens são assim. Eles precisam se adaptar com calma para também poderem ser bons pais, terem disposição e vontade para ficar sozinho com as crianças. Assim como a mulher se sente segura com a presença de um homem ao lado, eles também se sentem seguros em saber que sempre tem a mãe para dar um jeitinho.

Podem me criticar, falar que estou errada, mas até agora só segui meu coração. Se estiverem doentes, mesmo sendo dia do pai dormir, elas ficam comigo. Eu não me importo de não ter  liberdade por não ter uma rotina ainda, não me importo em não ter nenhum feriado para viajar com uma amiga ou até quem sabe um final de semana…. Pois sei que isso é apenas uma fase de adaptação e que como tudo, passa rápido.

Casais separados deviam focar um pouco mais na criação dos filhos e em mantê-los felizes e não tanto em brigas, disputas e desavenças.

As crianças não tem culpa da situação que estão vivendo, e precisam de carinho e muito amor. E isso é possível dar mesmo não tendo a família reunida na mesma casa.

As meninas são amadas, protegidas e cuidadas dos dois lados. Vivem sorrindo, estão felizes e conseguem estar bem tanto comigo, quanto com o pai .

Eu ainda derramo algumas lágrimas a cada noite que passo  sem elas em casa, mas sinto que estou no caminho certo. Elas pedem para dormir com o pai, vão felizes, e é só isso que importa para mim. E as saudades que eu sinto só faz com que melhore muito meu relacionamento com elas a cada retorno.

 

Uma boa semana!

Beijos

*K*

 

 

 

 

(Créditos Foto: Projeto Familia por Rachel Guedes)

 

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Comentários 15

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15 Comentário:Guarda dos filhos após o divórcio

  1. Vi

    Nossa, estava esperando este seu relato!!
    Queria muito saber como funcionava após a separação… penso do mesmo jeito, e te admiro pela coragem
    de enfrentar a vida com as suas filhotas.
    Bjos e feliz vida!

    • Katia Ouang

      Obrigada Vi. Beijao

  2. Larissa

    oi Katia, amei o seu relato!Penso exatamente como você! quando me separei minha filha tinha menos de 7 meses, queria muito que ela tivesse uma relação bacana assim com o pai, porém tive que me mudar para a casa dos meus pais, em outro estado, ainda assim sempre permiti que ele a visse sempre que quisesse e pudesse,e também tive essa preocupação de prepará-la para os períodos em que ia ficar na casa dele, garantindo que fosse um momento prazeroso para ambos. hoje ele está passando um tempo fora do país, e os dois se falam sempre que tem vontade (ainda preciso intermediar esses momentos, pois hje ela tem 3 anos e 10 meses). Sempre me esforcei para separar o homem do pai, uma coisa são as nossas questões de ex marido e ex mulher, nossas brigas e mágoas, outra coisa é o fato de ele ser pai da minha filha, não podemos misturar as coisas! Parabéns pela maneira com que vem encarando as coisas, sabemos o quanto é difícil e doloroso!! beijos!!

    • Katia Ouang

      Obrigada Larissa, muito bacana voce tambem pensar assim
      beijao

  3. Carol

    Então Ka, eu te admiro, sempre comento no instagram pq acho que vc está com uma carga super pesada.

    Tb sou separada,me separei gravida da minha menor que hoje tem 1 ano e 8 meses. O pai tem total acesso a elas, vê quando quer, e a liberdade é recíproca. elas vão se querem ou não, e por ai vai. Mas estabelecemos regras mais fixas. ele fica com elas 2 noites por semana, e finais de semanas alternados.

    Não acho justo eu não ter um tempo para mim sabe? Só eu ficar quando elas estão doentes. Não poder programar um tempo para mim (seja cortar o cabelo, sair com amigos, ou não fazer nada). Ainda mais que trabalho fora, tanto ou mais que ele. Viajo muito a trabalho também.

    E tempo para namorar? graças a esta programação já estou namorando de novo e ele também, todo mundo feliz, inclusive as meninas.

    Mas cada um sabe o que é melhor na sua realidade, não é mesmo?

    O mais importante é não brigar. Nós assinamos um documento onde nos comprometíamos a não brigar, a não ajuizar ação (tinha que ser acordo), e se a gente quisesse brigar teria que mudar de advogado. E assim foi, fizemos assim e saiu o acordo, e tudo anda às mil maravilhas.

    Boa sorte! bjss

    • Katia Ouang

      que otimo, nem sabia que dava para fazer um acordo desses rsrsrsrs
      olha mesmo nesse ritmo eu consigo fazer bastante coisa. Da tempo ate para ficar um pouco a toa…
      Beijao

      • Carol

        Leia sobre advocacia colaborativa e mediação de conflitos. Olivia Furst que foi a minha advogada no divorcio é expoente nisso, aprendi muito. Procurei ela porque não queria mesmo que tivessemos qualquer risco de alienação parental (quando um dos pais fala mal do outro, afasta a criança do outro pai. A gente pode fazer o que quiser, tai a maravilha do direito. O problema é que a nossa cultura só nos mostra o lado A, das brigas, processos intermináveis. Não precisa nada disso.bjs

        • nagela cardoso

          Engraçado que eu não sou separada, mas me interesso pelo assunto, sei lá…

          Olha, é preciso muita evolução espiritual e maturidade para lidar com esta situação e separar completamente o ex marido do pai. Te admiro muito Katia e você sabe muito bem disso. Uma separação, abala toda a nossa estrutura, emocional, organizacional e o que talvez eu ache mais difícil, a financeira.

          Sugestão para o próximo post, vida financeira pós divorcio, com filhos rsrsrs

          Engano seu MESMO, se você falar só sobre divorcio, terá inúmeras leitoras pq infelizmente, essa realidade em nossa geração é gigante.

          • Katia Ouang

            de fato, o lado financeiro muda 100%. Não é facil nao….
            beijao querida

  4. Roberta

    Oi, Kátia. Quando me separei, meu filho tinha apenas 1 ano e nove meses. Realmente é muito difícil… Sofri muito no começo e discuti muito com meu ex-marido exatamente por cobrar mais a presença dele para que meu filho sentisse o mínimo possível essa separação. Algumas mulheres usam os filhos para atingirem os ex-maridos. Mas, infelizmente, alguns pais não separam as coisas e, para se afastar da situação da separação (que no meu caso ainda está em discussão num processo litigioso), o pai acaba por se afastar do próprio filho, e isso é muito triste. Sei o quão importante é para meu filho conviver com o pai que ele tanto ama. No meu caso, o pai passa dois finais de semana com meu filho e o leva para a escola duas vezes por semana. Também deixei aberto para que ele veja nosso filho sempre que ele quiser, mas ele não toma muita iniciativa fora dos períodos combinados. Aceitei isso e parei de cobrar, pois não acho bom também para Gabriel ter o pai à força… E assim vamos seguindo.

    Desejo muita sorte e felicidade pra você e pras suas lindas pequenas.

    Um abraço

    • Roberta

      Os homens parece que lidam melhor com a separação quando têm o sentimento de culpa. Se nós mulheres decidimos pela separação simplesmente por não nos sentirmos felizes, pelas nossas razões, eles tendem a ter dificuldade para aceitar. Foi o meu caso. O que dificultou demais o processo de acordo. Conseguimos manter uma relação de pais de Gabriel, mas após a minha separação eu descobri um homem que eu jamais imaginava que ele fosse, e me decepcionei muito. Por isso acabamos tendo de resolver nossas diferenças judicialmente – graças a Deus diferenças e brigas apenas em relação aos bens materiais, não pela guarda nem nada relacionado ao nosso filho, porque isso sim acredito que acaba com qualquer mãe. A guarda sempre foi muito bem combinada entre nós.
      Achei interessante acrescentar isso no meu comentário por imaginar que possa ter alguma leitora que se identifique. Infelizmente, por mais que saibamos que a maioria das brigas são desnecessárias, a mágoa as torna inevitáveis. Já tentei muito conversar e resolver as mágoas dele em relação a mim, mas infelizmente sem sucesso. Entreguei a Deus e ao tempo…

      Separação não é mesmo fácil… Estou namorando há um ano já, estou bem. Mas uma separação nos marca para sempre. Essa sensação de fracasso, de sonho perdido. Acordar, pisar no chão e dar conta de uma vida com filhos sozinha, com despesas e emoções que nunca se imaginou viver… Realmente é um tema maravilhoso para ser abordado no seu blog. Obrigada por isso.

      Beijos

      • Katia Ouang

        Roberta , espero que logo tudo se resolva,
        beijos

  5. Fabi

    Oi Katia,
    Nunca comento por aqui (apesar de ler sempre o blog) mas a sua atual fase e a forma de lidar com a separação me lembrou muito a minha infância. Minha mãe se separou aos 28 anos com 3 filhos pequenos. Eu a caçula, tinha na época 2 anos e meio. Lá em casa tínhamos um dia fixo (obrigatório) para ver o meu pai, todas quintas feiras e os outros dias e horários que ele quisesse nos ver eram livres.. Minha mãe nunca impediu ou colocou qualquer bloqueio. Soubemos lidar muito bem com a separação e meu pai sempre foi muito presente… Esperávamos ansiosos pelas quintas feiras e se a saudade batesse antes era só ligar que ele aparecia na escola ou para um rápido almoço na casa da minha avó. Parabéns pela sua postura! Acho que os pais também tem o direito de exercer a paternidade! Não iríamos gostar de ver os nossos filhos em datas marcadas não é mesmo? Suas filhas irão agradecer no futuro.
    Beijos

    • Lica

      Katia, por favor fale mais da sua separação… Tenho 2 meninas também, uma de 4 anos e uma de 5 meses e estou me separando e completamente perdida…obrigada!

      • Katia Ouang

        OI Lica, vou aos poucos falando sim…. acompanhe pelo blog.
        e se precisar de alguma coisa me escreva! [email protected]