Por Katia Ouang

Galaxy

 

Outro dia percebi que após todos esses anos de blog, nunca falei sobre o consumismo infantil. Acho que nunca havia pensado sobre esse tema, mesmo porque não vejo como um problema aqui em casa e tento educar as meninas para que tenham bom senso e noção em relação ao que podem e ao que não podem ter.

Ate que um dia recebi um comentário de uma leitora no Instagram que me incomodou um pouco, e quando pega no meu calo, me inspiro muito para escrever.

O comentário dizia algo como: “ Nossa Katia, suas filhas tem tudo! Estão sempre bem vestidas, com um monte de roupa de marca…. você não acha isso um pouco prejudicial para elas?

Claro que não devo satisfação a ninguém do que elas usam , consomem ou compram. Só que me deu uma vontade enorme de falar sobre o que eu penso a respeito desse assunto, ainda mais tendo duas meninas em casa, fator que contribui bastante para o alto consumo.

Eu sou uma pessoa consumista assumida. Adoro e consumo moda, adoro e consumo produtos de beleza, adoro e consumo coisas para casa. Obviamente está bem longe do que eu gostaria de comprar de verdade. Porém sou e sempre fui sensata e responsável. Seja comigo ou com as meninas.

Ainda mais depois da minha separação. Além de ser responsável pelas meninas e por toda sua rotina, sou responsável por boa parte das despesas da minha casa. E eu , como boa parte das mulheres que trabalham, sabem o quanto é difícil poder ter tudo que queremos e mais do que isso, satisfazer a vontade dos nossos filhos.

Claro que os filhos são reflexo dos pais. As meninas aprendem a gostar do que tem em casa, do que me vem fazendo. Mas nunca, em tempo algum, elas deixaram de saber o valor que tem um presente, um brinquedo, uma roupa. Elas sempre tiveram um “não” como resposta, e sempre souberam lidar com a vontade de ganhar algo desde pequenas.

Presentes especiais, só em ocasiões especiais. Aniversário, Natal, Dia das Crianças.

Quem me acompanha sabe o quanto eu sou a louca das promoções, dos garimpos , das oportunidades de uma boa compra. E acreditem, minhas filhas se vestem com o que há de mais barato por aí. Nunca tive preconceito em comprar em supermercados, lojinhas de bairro, liquidações e outlets, inclusive indico esses achados sempre no instagram. Sou daquelas que se recusa a pagar para uma criança, o valor de uma peça de adulto. Talvez eu tenha a vantagem de ser uma apaixonada por moda e com isso conseguir coordenar bem as roupas das meninas e fazer parecer que elas estão com a roupa mais bacana do mercado. E sim, se elas precisam de algo especifico eu vou atrás na internet e busco o melhor valor.

Aproveito para contar um pouco sobre o consumo de brinquedos. Tenho até vergonha de falar que eu praticamente não consumo brinquedos e que consigo administrar super bem a ida das meninas em uma loja sem que elas peçam para comprar tudo.

Eu NUNCA compro nenhum brinquedo para elas, principalmente os caros e eletrônicos. Não suporto qualquer brinquedo que use pilhas, pois as pilhas acabam, eu nunca compro, e muito menos tenho paciência para abrir aquela caixinha com chave de fenda.

O mesmo vale para aqueles brinquedos que vem junto das massinhas. Já fiz a experiência algumas vezes de comprar o kit que faz doce, sorvete, pirulito, frutinhas…. E sabe o que acontece? As crianças perdem todas as peças e no final só brincam com a própria massinha. Então hoje eu compro os potes de massinha, dou uns palitinhos, uma faca de plástico e elas se ocupam com o mesmo interesse.

Fora isso o que as meninas brincam em casa? Como eu ocupo elas? Papel, lápis, caneta, cola, lousa… E coisinhas que tenho em casa; potinhos, pratinhos, uso feijão, arroz, macarrão….

Nunca me importei com bagunça, desde que elas recolham depois. As crianças ainda estão na fase que se divertem com qualquer coisa. E quanto mais estimularmos a maneira criativa de brincar, melhor para elas lá na frente.

Claro que compro brinquedos, e se entro em uma loja tenho vontade de dar tudo para elas. Mas ainda não fui dominada pela tentação de comprar uma Elsa de R$300 só porque acende o coração e toca “Let it Go”. Nem o Castelo de gelo que custa R$ 500 e fica ali parado sem função alguma.

Quer um castelo? Vamos fazer um de caixas de papelão!

Barbie?! Sim, elas tem. Compro a Barbie mais barata, que é igual a que vem com o cachorrinho, a raquete de tênis, o consultório medico… A Barbie é a mesma, e posso comprar as roupinhas avulsas quando quiser.

E quebra cabeças…. Ah como compro com prazer uma caixa de quebra cabeças. Para mim não há brinquedo mais completo para dar concentração a uma criança e ensiná-la a brincar sozinha.

O que muitas mães não entendem e se frustram por não poder dar o brinquedo que o filho tanto sonha é que nessa fase, a criança se ocupa muito fácil. E quanto mais estimularmos a criança a brincar com os recursos que ela tem, mais criativa ela será. Aprender a criar recursos com o que tem em casa, aprender a imaginar um lugar, uma solução… isso tudo só traz benefícios.

Você não precisa comprar o kit de panelinhas e o fogão que acende a luz para brincar de comidinha. Use uma caixa, desenhe as bocas do fogão, use os pratinhos de potinhos de plástico da própria criança. Certeza que para elas é a mesma coisa.

E se tem um ponto da minha vida como mãe que me sinto muito feliz e realizada é esse. Minhas filhas vibram se eu chego em casa com um pacote de papéis coloridos e um caixa de giz de cera. Os olhinhos delas brilham quando junto um monte de sucata e coisas que não uso mais e deixo elas criarem o que quiserem.

É na infância que passamos para as crianças a noção do consumo, do valor das coisas, da necessidade ou não de ter um produto e de como elas podem se virar e se divertir de outras maneiras.

E nada alegra mais o coração de uma mãe quando consegue ver ao longo do tempo, que o que ensinamos e os valores que passamos, estão realmente sendo incorporado pelos filhos!

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Comentários 7

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7 Comentário:Consumismo Infantil {Como Lidar!?}

  1. Lilian Costa Pereira

    Boa Noite Katia ! Achei maravilhoso seu post, sou analista de sistemas, trabalhei por muitos anos nesta área, mas estou mudando de profissão, me apaixonei tanto por esse mundo de mãe, educar que em breve me formo pedagoga. Resumindo tudo isso que você contou e concordo plenamente, o que acrescento é o mais importante para uma criança, sendo rico ou pobre, não importa, para ela é poder compartilhar, partilhar de algumas horas de brincadeira com seus pais, seja montando um quebra-cabeça, criando alguma brincadeira, pulando corda, brincando de esconde-esconde, lendo uma história, imprimindo um desenho legal no computador para pintar e os brinquedos caros sempre ficam jogados de lado porque enjoam rápido demais e na verdade se não tiver ninguém para brincar nada será o suficiente para satisfazer uma criança, porque o mundo dela é a brincadeira em si e não “o brinquedo mais caro”.

    • Katia Ouang

      Com certeza Lilian, também penso assim! bjs

  2. Deborah

    Adoreii!!! Vc poderia fazer um post de ideias de atividades para as criancas!! Parabensss

    • Katia Ouang

      Boa ideia Deborah, vou fazer sim! bjs

  3. mix

    Katia, noutro dia comentei com meu marido que TODOS os brinquedos do meu filho, ficam na sala embaixo da TV. Da umas 4 cxs dessas de plastico (nem das gigantes). E qdo ele veio retrucar eu disse que eu nao estava reclamando não. Q era quase um orgulho isso. Q o menino curte qq coisa…

    te sigo aqui e no insta desde q manu nasceu. E olha se tem uma coisa que eu não acho, eh q vc eh consumista. Acho incrivel como as meninas curtem desenhar e pintar e se entretem com isso…
    liga não p comentarios…

    bjssss

    Mix

    • Katia Ouang

      OI querida, adoro seus comentários! e seus trabalhos artísticos também. Certeza que seu filho deve gostar também de desenhar e pintar ne?
      bjs

      • Mix

        Sabe que ele tem meio nojinho de tinta e zero paciencia p erros… (exatamente como eu era qdo pequena… genetica eh uma coisa de doido hahahaha)
        de mim ele herdou uma pequena dose de loucura e o senso de humor hahahahaha

        bjssss