Por Katia Ouang

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Juro para vocês que não gostaria de começar a semana com um post desabafo. Mesmo porque muitas de vocês estão acompanhando a minha semana pelo instagram e puderam perceber o quanto foi difícil.

Mas uma das boas coisas que o blog me traz é que em muitos momentos ( ou até me arrisco em dizer que em quase todos momentos difíceis que passei na maternidade) o desabafo em forma de texto me ajudou muito a seguir em frente mais forte.

Essa semana vivi praticamente um campeonato de resistência física e emocional. E acho que preciso de um bom tempo para me recompor.

Tudo começou há 10 dias com uma febre inesperada da Manu as 2 da manhã. Do nada achei ela quentinha e quando fui medir ; 39,8 graus! O que para mim é algo que me derruba e me tira o chão. Como assim do nada ela aparece com uma febre dessas?

Era sábado, estava em casa sozinha com as duas. E aí aquele pânico dela ter alguma coisa. Passei a noite virada pois a febre não baixava. Não preguei o olho 1 minuto. Quando foi antes das 7 a Bruna acorda toda empolgada para ver se o coelhinho da Pascoa tinha passado. E eu, que havia preparado uma surpresa com pegadas, caça aos ovos e presente, só estava preocupada com a tal febre da Manu. Infelizmente meu domingo de Páscoa foi em casa cuidando da pequena com indas e vindas da minha mãe para me ajudar um pouco.

A noite eu estava morta. Uma noite inteira sem dormir me derruba. Ainda mais com toda a pressão emocional de ver um filho ardendo em febre. Domingo a noite a febre voltou alta, e minha mãe veio dormir comigo para revezarmos pois eu não tinha condição alguma de passar mais uma noite virada.

Quem me acompanha sabe os sustos que já passei com a Manu. Cada vez que ela fica doente vem um filme na minha cabeça. Eu simplesmente não consigo relaxar 1 minuto sequer com ela ruinzinha.

Mal sabia eu como seria o resto da semana….

Manu teve muita febre de madrugada. E mesmo com a minha mãe aqui, eu não consigo dormir. É mais forte do que eu conseguir fechar os olhos com um filho doente.

Na segunda cedo já fomos direto para a pediatra. Pelo quadro todo teria grande chance de ser a gripe H1N1 mas o Tamiflu não seria indicado para ela pois Graças a Deus não havia compromentido pulmão, garganta e ouvidos.

No caminho de volta para casa comecei a sentir um mal estar, um cansaço…. Mas tinha certeza que seria pelas 2 noites viradas. Nesse dia a febre deu uma trégua durante o dia e consegui descansar um pouco com a ajuda da moça que trabalha aqui. Mas como eu já sabia que a febre viria a noite, minha mãe veio me ajudar mais uma vez. E dito e feito, mais uma noite de febre a quase 40 graus e eu e minha mãe viradas.

Na terça de manhã eu simplesmente não conseguia sair da cama. O mal estar evolui de tal forma que tive que ir imediatamente para o hospital. Dor de cabeça, enjoo, nariz escorrendo, tosse e uma dor nas pernas insuportável. Somado a isso; Febre! Há quantos anos eu não tinha uma febre! Passei o dia no Pronto Socorro! Enquanto isso minha mãe se revezava com a moça para cuidar da Manu que continuava nos seus turnos de febre.

Na quarta feira acordei me sentindo um pouco melhor, mas aí quem ficou mal foi a minha mãe e a moça que trabalha aqui. As duas pegaram a gripe! Oh meu Deus, e agora? Quem vai me ajudar?

O pai das meninas estava praticamente o tempo todo que tinha livre com a Bruna, pois eu precisava afastá-la dessa gripe . Ela dormiu a semana toda com ele e só passava em casa para se trocar, tomar banho e eu arrumá-la para escola.

Imagina como ficou meu coração…

De quarta a sexta foi um pesadelo… Eu 100% sozinha com a Manu. Ambas doentes, noites acordadas e eu tendo que trabalhar, pagar contas, arrumar a casa toda, passar uniforme, fazer almoço, jantar….  Ela entediada, não aguentando mais ficar em casa sem companhia, me solicitando o tempo todo…

Chegou na sexta feira, fui levá-la na consulta com a pediatra e na volta comecei a me sentir mal de novo. Uma falta de ar estranha. Fui fazer uma inalação. Não melhorou.

Tive que apelar para o meu pai para ficar com a Manu e consegui que um Pneumologista me atendesse imediatamente. Me poupando de cair na fila do Pronto Atendimento. E então eu estava com uma infecção secundária e precisaria entrar no antibiótico e outros trocentos remédios imediatamente. Por pouco não precisei ser internada.

Juro que comecei a chorar na frente do médico. Eu simplesmente não tinha mais forças para nada. Estava exausta, consumida, precisando desligar o botão e desaparecer.

Pelo menos nesse dia a Manu não teve febre.

Será que então eu teria enfim uma noite um pouco mais tranquila?

Fomos dormir. Só que devido aos remédios, mesmo estando exausta, fiquei totalmente sem sono. Não preguei o olho a noite toda. E conforme as horas iam passando eu ficava mais angustiada. Eu não estava nada bem. Ainda com muito mau estar, falta de ar e tosse. E então no meio da madrugada eu paniquei. Surtei, chorei…. Comecei a ter medo. Muito medo.

Medo de ter algo ali, de morrer, de não ter ninguém comigo, da Manu ter febre e eu não poder acudir.

Como é horrível a sensação de estar doente com um filho ao lado.

Seja minha mãe, um marido, a empregada,…. saber que você tem alguém por perto caso precise tranquiliza muito.

Com isso passei a noite acordada, observando a Manu, rezando para que eu não morresse…. Sim, não é exagero. Quem nunca teve medo de morrer? Ainda mais no meu estado onde eu não estou boa e sou uma pessoa que quase nunca fica doente…. Eu de fato estava assustada.

Noite passada, tudo se repetiu. Ainda mais porque de fato os remédios que eu estou tomando tiram o sono. Então o resumo disso tudo são 7 dias de “prisão domiciliar” , 7 noites sem dormir, e uma carga emocional sem fim.

Com isso amadureci alguns anos essa semana e envelheci muitos e muitos outros.

De tudo isso o que vale é que a Manu já está há quase 72hs sem febre, e vai poder voltar para a vidinha dela.

Eu ainda não estou 100%. Mas estou medicada, e sendo acompanha por um médico. Se Deus quiser isso tudo está no final.

O lado bom? Que eu nunca quis tanto voltar para a minha rotina.

Eu nunca quis tanto poder fazer minha ginastica

Eu nunca quis tanto poder me sentir livre.

E eu mais uma vez comprovo que a única importância que existe na vida é a saúde dos nossos filhos.

E vamos começar a semana, ainda sem minha mãe, ainda sem minha funcionária, ainda sem estar 100% mas com a Manuzinha boa.

Beijos e obrigada por todas as mensagens carinhosas no instagram. Sempre me ajudam muito!

*K*

 

 

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Comentários 9

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9 Comentário:{Vida de Mãe} Uma Semana Sem Fim

  1. Joyce

    Nossa Ka.. Chorei aqui com tudo.. Andei sumida de redes sociais pq não estava me fazendo muito bem.. Então não vejo seu insta tem um tempo já.. Dai me deparei com seu relato no face.. Te entendo perfeitamente… É uma sensação de impotência muito grande.. As coisas vão se ajeitar.. Todos vão melhorar! Eu tive h1n1 quando o Enzo tinha menos de 1 ano.. Ele tb teve, ele quase morreu, ficou uma semana na UTI, na época minha mãe e o pai pegou tb.. Lembro que me derrubou, mas tirei forças de onde não tinha, assim como você.. Cheguei numa conclusão que tenho paz somente quando meu filho está saudável, por isso sei da sua angustia.. Fiquem com Deus, mas uns dias e todos estarão bem! Vc voltará a rotina junto da suas princesas! Fique bem!! Bjos

    • Katia Ouang

      Nossa que perigo não? Obrigada pelo carinho!

  2. Ligia

    Nossa Katia, angustei com seu relato. Trabalho em.hospital, a coisa esta feia mesmo. Ontem tinha uma mae chorando de dor e desespero.
    Força.

    • Otaena

      Saúde pra vc e suas filhotas! Melhoras pra sua mãe (o que seria de nós sem elas?) e pra sua funcionário tb! Sem saúde tudo fica mais difícil! Mas Deus cuida!!!

      • Katia Ouang

        OBrigada! Beijao

  3. DANI

    Oi Katia, adoro seus relatos totalmente reais, de uma mãe real, pois hoje em dia nem da melhor amiga vc tira a verdade da vida. Todo mundo se esconde em fotos bonitas das redes sociais e todo mundo é mãe perfeita, então quando temos alguém que nos mostra que a realidade é outra, apesar de ser sofrido, nos faz perceber que no fundo todo mundo é igual.
    Eu passei por momentos péssimos uns tempos atrás relacionados a saúde em família. Sofri muito, todos sofreram, cheguei a ficar chateada com Deus perguntando porque tanta porcaria junta pra mim ao mesmo tempo. As coisas melhoraram, passaram, e hoje eu só peço saúde. Saúde não só dos filhos, mas de todos ao nosso redor e a nossa também, pois saúde é a coisa mais importante que existe na vida. Saúde física, mental, espiritual. Temos que estar bem pra sermos felizes, não tem outro jeito. E nossos filhos, claro, prioridade como sempre. Quando alguém faz aniversário, desejo muita saúde, quando rezo pelas pessoas que amo, peço saúde, em todas as minhas rezas e pensamentos, a saúde está em primeiro lugar. As vezes no trabalho ou com amigas, vejo papos e reclamações por causa do marido, do emprego, da viagem que não deu certo, do carinha que prometeu ligar e sumiu…ouço aquilo tudo e no fundo penso, quanta besteira….Sei que estou sendo até um pouco radical, mas só quem passa sabe como é. Saúde é a coisa mais importante, junto dela vem a proteção e a segurança pra viver nesse mundo maluco.
    Desejo a você e suas pequenas toda a saúde do mundo. Você é uma guerreira e uma mãe de muito valor. Vai ficar tudo bem, vocês vão ficar bem, isso tudo vai passar.
    beijos, Dani

    • Katia Ouang

      Sim Dani, nada mais importante nessa vida do que ter saúde
      obrigada viu!

  4. Carla

    Caramba que barra!!!Mas por fim o que era Katia? Vi uma foto do Tamiflu. É h1n1?
    Beijos e muita saude pra vc e pras meninas!!! Abraço

    • Katia Ouang

      sim!!