Por Katia Ouang

Vendo essa foto da Manu com 10 dias de vida, me inspirei para o post de hoje.

Estou com algumas amigas próximas com bebê pequeno em casa. Fui visitar na maternidade e em casa, e pude reparar que a maioria delas se surpreende com alguns desafios que nem imaginavam passar.

Engraçado que quando você está grávida do primeiro filho a única coisa que te falam é: “Ve se dorme bastante pois depois que o bebê nascer você nunca mais vai dormir”. Ok, isso toda grávida já entendeu. Porém tem várias outras “coisinhas” que as pessoas ou tem vergonha de falar pois não querem demonstrar que passaram por algum perrengue ou dificuldade , ou porque fingem que não passaram por isso.

Eu mesma me deparei com algumas ( muitas !) dificuldades no começo da minha vida como mãe, resolvi listar algumas dessas coisas que ninguém te conta, mas eu conto!

Hoje vou falar sobre o pós parto, uma das fases mais difíceis principalmente no primeiro filho. Claro que isso não se aplica a todas as mulheres. Algumas tem a sorte de não sentir nenhuma dificuldade ( raro mas existe!) , outras tem ajuda full time ( enfermeiras, babás, mãe, etc….) o que ajuda muito, …  mas para as pobres mortais e grande maioria que encaram a jornada sem ajuda, vou listar o que mais senti dificuldade nos primeiros meses das meninas.

Ninguém me contou :

Que muitas vezes no pós parto você incha mais que na própria gravidez. O que é normal e eu não sabia. Eu saí da maternidade com o mesmo peso que entrei. Só que tive uma bebê de 4kgs. Como isso seria possível?! Meu médico me alertou que principalmente quem passa por cesárea, tem muita retenção de liquido. Eu fiquei muito inchada por uns 10 dias e não conseguia entender. Existe uma drenagem que pode ser feita já na maternidade , mas eu não sabia. Não fiz na maternidade, nem em casa, então tive que esperar o processo natural do corpo desinchar. Mas foram 10 dias que achei que nunca mais conseguiria colocar um sapato no pé, já que só aqueles chinelos de avó me serviam!

Que você vai usar uma fralda e não um absorvente pós parto. Quando vi na maternidade um saco desse tal absorvente gigante tomei um susto. Pensei comigo mesma; Como assim é preciso usar um absorvente desse tamanho? Algumas mulheres tem a sorte de não sangrar tanto no pós parto. Comigo foi um show de horror. Tive que usar o tal absorvente ( pois é muito  esquisito falar fralda não?!) por mais de 10 dias…   fora o absorvente normal na versão noturna power pois mais 2 meses. Sim, eu sangrei por 2 meses nas duas! O que acabou me deixando super fraca e sem vontade de fazer nada.

Que você não controla o Baby Blues. Todo mundo escuta um monte de histórias sobre a Depressão Pós Parto antes de ter filho , e cada um julga como quiser. Eu mesma não entendia como uma mulher poderia ter depressão depois de passar pelo momento mais importante e maravilhoso da vida dela. Só que simplesmente não controlamos isso.  A Depressão Pós Parto ou Baby Blues é algo que acontece na maioria das mulheres pois é uma questão hormonal. Não temos como mandar no nosso organismo e nem controlar o que vai acontecer. Some tudo isso à um cansaço extremo, não há mulher que resista. Eu não tive depressão em nenhuma das meninas. Tive um ou outro momento de choradeira desenfreada na Bruna. Mas que passou rápido. Me lembro que quando ela tinha uma semana eu entrei no banho, chorei por 1 hora sem parar. Não sabia o que estava acontecendo , mas eu não conseguia parar de chorar.  Muitas mulheres não querem assumir que estão com Baby Blues, acham que é uma fraqueza, mas não é.  E só depois que tive as meninas que descobri quantas amigas tiveram a depressão e quantas tomaram remédio. Ninguem conta pois tem vergonha. O melhor a fazer sempre é falar com o seu obstetra, um remédio na hora certa corta esse quadro de depressão rapidinho e não é  preciso carregar nenhuma culpa por isso.

Que amamentar não é tao simples quanto parece. Esse é um tópico que eu simplesmente não posso começar a escrever, se não vou terminar com 5 paginas contando o que aconteceu comigo. A conclusão que tenho sobre a amamentação é que não existe nenhuma regra. Pois o que funciona para uma mãe, não funciona para outra. Mulheres tem anatomias de seio diferentes, produção de leite diferentes, bicos de seio diferente, e não se esqueçam; cada bebê é um de um jeito, mama de um jeito, tem fome em momentos diferentes… O que falta em todos esses cursos para gestantes onde ensinam a dar banho em uma boneca, é uma orientação mais detalhada sobre amamentar, mostrando quais as dificuldades principais que podem ocorrer e como lidar com isso.  Lembro que me assustei e fiquei sem saber o que fazer no dia que voltei da maternidade e entendi o que era “descer o leite”, até então eu achava que tinha leite, e que amamentar seria como na maternidade. Esse dia não acreditei como o corpo se transforma para alimentar um bebê…. Então exceto por mulheres que parecem que nasceram sabendo amamentar, a maioria passa por desafios durante a amamentação do primeiro filho e que simplesmente não sabem o que fazer. E o que eu sempre falo é; tenham antes do bebê nascer um contato de enfermeiras especialistas em amamentação que possam ajudar nos primeiros dias ou mesmo se tiver algum problema como mastite e empedramento, como eu tive algumas vezes. Uma boa orientação é fundamental para quem quer amamentar além de perseverança.

Que você não terá vontade alguma de namorar o seu marido após a quarentena. Quando leio em grupo de mães alguma mulher dizendo assim: Gente, será que tem problema eu não esperar 40 dias? Ooooi ?! Não entendo como  alguém possa ter vontade de namorar nessa fase. Exceto pela mulheres que não amamentam ( pois os hormônios da amamentação cortam a libido), não sei como essas mulheres conseguem pensar em algo que não seja amamentar e tentar dormir. Você está inchada, uma barriga que parece uma gelatina, usando sutiã de amamentação ( que por si só já é algo broxante)  com absorvente para não vazar o leite…. como conseguir se sentir sexy? Depois de um tempo como mãe e conversando com outras mães, todas confessaram que por meses não tinham a mínima vontade de ter relação com o marido… Gravidinhas, isso é normal viu!? Enquanto a mulher amamenta exclusivo no peito, não tem vontade por questão hormonal mesmo. Nada que não volte ao normal depois (ufa!).

Que você vai se questionar algumas vezes do porquê não está tão feliz. Sim, é sonho de toda mulher ter um filho. Sim, muitas esperaram anos com tentativas e tratamentos. Sim, é o momento mais importante de sua vida. Mas você de repente não está tão feliz como imaginava. Não necessariamente você está com Depressão. Mas sim, necessariamente você é de carne e osso. E quem diz que é uma delicia a vida com recém nascido está com certeza mentindo. O recém nascido em si,  é sim uma delicia. Quem não ama e enlouquece com a fofura de um bebezinho?!  Mas quem disser que ama a rotina com um bebezinho, vou estranhar.

Que você vai chegar com um recém nascido em casa e não saberá o que fazer com ele. E nem por isso você não é boa mãe, apenas ainda vai se adaptar a essa nova rotina. Quem não lembra do primeiro dia em casa com um bebê? Você não tem idéia do que fazer, por onde começar, se está na hora de trocar, se tem que acordá-lo pois está dormindo demais…. E a primeira noite então? Eu não preguei o olho vendo de minuto em minuto se a Bruna estava respirando, se estava confortável, se tinha frio, se tinha xixi, se queria arrotar…. Mas nada que o instinto materno não resolva e em poucos dias você já comece a se adaptar e entender tudo o que o seu filho precisa. A vantagem dessa experiência? Não passar por nada disso no segundo filho, pois aí sim a gente tira de letra!

Que você vai se tornar mais feliz a cada dia. O amor não vem assim avassalador, ele vai crescendo conforme você aprende a conviver com o seu bebê. E ele triplica quando o bebê começa a interagir com você. É um amor que se renova a cada dia, a cada descoberta. É maravilhoso!

E quando você menos espera, seus filhos já estão enormes, como as minhas, e a fase de bebezinho é tão curta, que não vale a pena se estressar , apenas curtir. Cada mãe com certeza é a melhor mãe que poderia ser para os seus filhos. E nada como a vivência para fortalecer essa relação!

E vocês, o que mais colocariam nessa lista do que ninguém te conta??

 

5

Comentários 4

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

4 Comentário:O que ninguém te conta sobre a maternidade {Parte I}

  1. Luciana

    Adorei o texto! Passei por várias dificuldades como as que vc citou. Acredito que fui ingênua em pensar que com o nascimento do meu bebê, automaticamente eu renasceria como mãe. Nada disso, foi um longo e dolorido aprendizado…mas, no fim a gente sobrevive! Só que eu ainda não tive coragem de ter o segundo rsrsrsrs! Uma abraço, Kátia!

    • Katia Ouang

      Pode se encorajar , te garanto que a experiência do segundo filho é maravilhosa e renovadora!

  2. Marcele

    Katia, me identifiquei com algumas das coisas que você disse. Por sorte não inchei depois do parto (cesárea 🙁 ) e o início da amamentação do primeiro filho foi super sossegado (já do segundo… quanto sofrimento). Também não me lembro do baby blues, mas acho que é porque a ficha demorou a cair, viu? Fui me sentir deprimida lá pelos 06 meses do pequeno, hehehe. Mas você esqueceu de mencionar os benditos “cocôs explosivos” dos primeiros dias. Nossa… isso, definitivamente e literalmente acabava comigo, hehehe. Beijão

    • Katia Ouang

      kkkkkkkk, é verdade! Beijao